"O melhor lugar do mundo é onde Deus me quer".
São José Freinademetz
Irmã
Anastásia: "...Muitas vezes estávamos em meio
a conflitos e em situações desafiantes...."
Após
trabalhar por uns 8 anos no Vale do Jequitinhonha, fui chamada para
missionar no, então, Norte de Goiás. Cheguei em Tocantínia
em 1985. Assumi a coordenação do trabalho social nas Vila
Jacó e Planalto. O trabalho que assumi era, na verdade, uma continuidade
às atividades iniciadas pela Irmã Clara Maria, que constavam
de:
-
Artesanato - confecção de redes de algodão,
cujo cultivo era feito nas proximidades. As redes de Tocantínia
são famosas, possuem lindos labirintos, tramóias,
que constituem rendas próprias para as redes tecidas lá;
-
Cursos – bordados e pinturas para adolescentes, corte e costura
para gestantes;
-
Pré escolar – em ambas as Vilas funcionava uma escolinha
para crianças de 2 a 6 anos;
-
Horta familiar e comunitária – um projeto iniciado
pela Irmã Antônia, primeiramente no fundo do quintal
das casas, depois, numa área própria, comunitária.
Verduras e legumes completavam a merenda escolar nas duas Escolinhas;
Com a saída de Irmã Helena da coordenação
da Paróquia, no final de 1986, chamada para assumir outro trabalho
na Província, o então Bispo local, D. Jaime Collin, me
encarregou da tarefa e me apresentou à comunidade local como
a nova coordenadora do trabalho pastoral propriamente dito. Então,
além do trabalho social, assumi também aquela nova e desafiante
tarefa.
Fui coordenadora da paróquia por 3 anos, até que, em 1989
encerramos nossa permanência, como comunidade, em Tocantínia.
Aquela região, até há pouco norte do estado de
Goiás, havia se emancipado e se transformado numa novo estado,
do Estado do Tocantins. Em Tocantínia, as SSpS continuaram presentes
no trabalho de Irmã Sílvia Wewering, com as comunidades
Xerente e das Irmãs Edni Gugelmin e Bete Plattner, nas comunidades
rurais.
A partir de 1990, trabalhei com Irmã Antônia, em Miranorte,
na Saúde Alternativa e na Pastoral da Criança. Tanto Tocantínia
como Miranorte pertenciam à Diocese de Miracema do Norte, que
tinha uma postura crítica com relação à
realidade social e política na qual o povo estava imerso e optara
pela pastoral das Comunidades Eclesiais de Base, contando também
com a presença de núcleos da CPT – Comissão
Pastoral da Terra e do CIMI - Conselho Indigenista Missionário.
Nós, Irmãs, participamos intensamente da vida e missão
da Igreja local: reuniões, encontros de formação,
de lazer, assembléias, caminhadas, romarias e outras mais. Muitas
vezes estávamos em meio a conflitos e em situações
desafiantes. Apesar disso, e talvez por isso mesmo, estávamos
muito unidas ao povo, numa convivência alegre de partilha, o que
constituiu para mim um verdadeiro aprendizado. Tanto que, quando em
98 voltei ao Vale do Jequitinhonha, dessa vez em Mata Verde/MG, contava
já com uma nova experiência. Por isso, talvez, minha permanência
no Vale pode ser um verdadeiro batismo, um renascimento, um encontro
comigo mesma junto ao povo com quem convivi e trabalhei.
Irmã Anastásia Krohling, SSpS - pertence
a Província Brasil Norte
março/2005
<outras
Experiências Missionárias>