OEA solicita ao Brasil proteção aos indígenas da
Raposa Serra do Sol
A
Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização
dos Estados Americanos – OEA, acolhendo uma petição
do Conselho Indígena de Roraima e da Rainforest Foundation –
US, solicitou ao governo brasileiro que adote medidas cautelares para
proteção à vida dos povos Macuxi, Wapichana, Ingarikó,
Taurepang e Patamona, habitantes da terra indígena Raposa Serra
do Sol.
A
petição foi apresentada à Comissão Interamericana
de Direitos Humanos – Cidh, no dia 29 de março de 2004.
Devido os últimos atos violentos contra as comunidades da Raposa
Serra do Sol, quando três comunidades e dois retiros indígenas
foram destruídos, um macuxi ferido à bala e 131 pessoas
desabrigadas, a Comissão decidiu cobrar providências do
Governo Brasileiro.
No
dia 6 de dezembro a Cidh recomendou ao Governo do Brasil quatro medidas
cautelares que são:
1) Proteger a vida e a integridade pessoal dos Povos Indígenas
Ingaricó, Macuxi, Patamona, Taurepang e Wapichana, respeitando
sua identidade cultural e sua especial relação com o território
ancestral;
2) Assegurar que os beneficiários possam continuar a habitar
suas comunidades, sem nenhum tipo de agressão, coação
ou ameaça;
3) Abster-se de restringir ilegalmente o direito de livre circulação
dos membros dos Povos Indígenas Ingaricó, Macuxi, Patamona,
Taurepang e Wapichana;
4) Investigar séria e exaustivamente os fatos que motivaram o
pedido de medidas cautelares.
De
acordo com a recomendação, estas medidas devem ser decididas
em consulta com os povos indígenas da Raposa Serra do Sol e o
Brasil tem um prazo de 15 dias para informar a CIDH sobre quais medidas
foram adotadas.
Os
povos Ingaricó, Macuxi, Patamona, Taurepang e Wapichana, da Raposa
Serra do Sol, reivindicam legalmente há mais de 30 anos o reconhecimento
desta terra, cuja área geográfica é de 1,6 milhão
de hectares. A terra está demarcada administrativamente desde
1998, mas aguarda a assinatura de um decreto presidencial de homologação,
para ser finalmente titulada em favor dos povos indígenas.
Isabela
Figueroa, advogada da Rainforest Foundation – US disse que “agora
existe um sinal claro de que a comunidade internacional observa com
atenção o processo demarcatório da Raposa Serra
do Sol”. Segundo destaca, “cada vez que o governo anuncia
uma iminente homologação da demarcação,
sem tomar nenhuma medida concreta a respeito, provoca a reação
violenta dos invasores contra os indígenas que possuem tradicionalmente
a terra. Isto não é somente uma grande irresponsabilidade,
mas também vai contra uma série de compromissos assumidos
com a comunidade internacional”.
A
advogada do Conselho Indígena de Roraima, Joênia Wapichana,
que protocolou a petição, afirma que "está
na hora do Brasil e principalmente Roraima aceitar e trabalhar com a
realidade indígena. Raposa Serra do Sol é muito mais do
que palmos de chão, é a vida de vários indígenas
vítimas de tanta violência. Cabe aos Poderes do Estado
assegurar que as disposições da Comissão sejam
cumpridas. O Brasil deve cumprir com o acordado no Sistema Interamericano
de Direitos Humanos”.
Essa
não é a primeira vez que a OEA recomenda a proteção
dos direitos indígena dos povos da Raposa Serra do Sol. Quando
esteve em Roraima em 1997, a Comissão da OEA elaborou um relatório
sobre a situação dos Direitos Humanos, solicitando “celeridade
no cumprimento dos objetivos de curto e médio prazos estabelecidos
no Plano Nacional de Direitos Humanos”; requereu “dotar
a FUNAI de todas as formas de recursos a fim de que possa cumprir sua
função”, sugeriu “paralisar toda decisão
de municipalização que atinja terras indígenas,
inclusive daquelas em processo de demarcação e homologação”;
e finalizou propondo “completar e homologar legalmente as terras
correspondentes ao povo Macuxi no Estado de Roraima, com pleno respeito
a suas propriedades e suas instituições e costumes ancestrais”.
Conselho
Indígena de Roraima
8 de dezembro de 2004
Para mais informação: Joênia
Wapichana Isabela Figueroa
Conselho Indígena de Roraima Rainforest Foundation US
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