Indígenas
de Raposa Serra do Sol conseguem nova vitória na Justiça
As três famílias macuxi
que moram na comunidade Brilho do Sol, no sul da terra indígena
Raposa Serra do Sol, em Roraima, não são mais obrigadas
a deixar a reserva. Na última sexta-feira (dia 10), o ministro
Carlos Britto, do Supremo Tribunal Federal (STF) deferiu a liminar pedida
por Joênia Batista de Carvalho, coordenadora jurídica do
Conselho Indígena de Roraima (CIR), no dia anterior. Nela, a
advogada solicitava ao STF que suspendesse imediatamente a execução
do mandado de manutenção e reintegração
de posse concedido pela 1ª Vara de Justiça Federal de Roraima
a José Wilson da Silva, coronel reformado da Polícia Militar
(PM). O mandado ordenava que a comunidade deixasse espontaneamente a
terra indígena até domingo, sob o risco de ser retirada
à força pela Polícia Federal (PF) a partir de hoje.
"Essa decisão é mais
uma vitória que fortalece a homologação da Raposa,
permite que os indígenas possam viver e trabalhar com tranqüilidade.
A gente agora aguarda que o STF acabe com a ação possessória
que deu origem ao mandado. Esse foi o outro pedido que fizemos ao tribunal",
explicou Joênia.
José Wilson foi um dos proprietários
de terra que entraram na Justiça em 2004 com ações
possessórias que questionavam a portaria 820, de 1998, que estabelecia
a demarcação em área contínua da Raposa
Serra do Sol. A maioria dessas ações foi revogada porque
o plenário do STF as julgou prejudicadas pela "perda de
objeto" - já que as terras, agora, eram indígenas
-, mas a ação possessória em questão não
constava da lista analisada pelos ministros.
A comunidade Brilho do Sol fica na região
do Baixo Cutingo, no sul da Raposa Serra do Sol. Ela faz parte de um
grupo de cinco aldeias que foram reocupadas pelos indígenas no
segundo semestre do ano passado, como uma estratégia do CIR para
fazer resistência à expansão dos arrozais dentro
da terra indígena.
No
dia 23 de novembro, as cinco comunidades tiveram as casas queimadas
por um grupo suspostamente liderado pelos rizicultores. O caso está
sendo investigado pela Polícia Federal.
Thaís
Brianezi/Agência Brasil
fonte: www.adital.com.br
junho /2005
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