Maria da Penha
Em 29 de maio de 1983, Marco Antonio
Heredia Viveiros, com um tiro de espingarda calibre 12, atingiu nas
costas enquanto dormia em sua residência, a esposa, a farmacêutica
Maria da Penha Maia Fernandes. Ela ficou paraplégica. Ele alegou
que a família sofrera um assalto e que a esposa fora atingida
pelo assaltante.
Em 1991, depois de adiado por duas vezes,
foi julgado e condenado a 15 anos de reclusão. Recorreu e o Tribunal
de Justiça do Ceará determinou novo julgamento que só
aconteceu em 1996, depois de adiado três vezes. Não cumpriu
nem um dia da pena.
Tempos depois do tiro, o marido tentou
eletrocutá-la obrigando-a a entrar num chuveiro elétrico
com a fiação totalmente comprometida.
Maria da Penha publicou um livro e recorreu
à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA,
através do Centro pela Justiça e o Direito Internacional
(CEJIL).
Maria da Penha declara:
Ele me proibia de atender as meninas quando elas choravam de noite.
Ele levantava da cama e batia nas crianças até pararem
de chorar.
Eu suponho que ele não queria a separação.
Não acreditava que ele pudesse me fazer mal.
No dia 30 de abril de 2001, a Comissão
Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), sediada em Washington, condenou
o Brasil por negligência e omissão em relação
à violência doméstica.
Trata-se de uma tolerância de
todo o sistema que (...) alimenta a violência contra a mulher
(...), não havendo evidência socialmente percebida da vontade
do Estado, como representante da sociedade, pra punir esses atos. (Relatório
final da CIDH)
O Informe nº54/2001 da Comissão
Interamericana de Direitos Humanos, recomenda várias medidas,
entre as quais, “o pagamento de uma indenização
à vítima e a adoção de políticas
públicas voltadas à prevenção, punição
e erradicação da violência contra a mulher”.
Trata-se do primeiro caso de aplicação
da Convenção de Belém do Pará. Em outubro
de 2002, poucos meses antes da prescrição da pena, o agressor
de Maria da Penha foi preso. Quase vinte anos eram passados desde que
atirara em suas costas deixando-a paraplégica.
UMA
VIDA SEM VIOLÊNCIA É DIREITO NOSSO.
Iolanda
Toshie Ide
Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Lins;
Representante da Pastoral da Mulher Marginalizada no setor de Pastorais
Sociais da CNBB;
Coordenadora do Grupo de Pesquisa e Ação " Educação
e questões de Gênero", da UNESP de Marília
/ SP
novembro/2004
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