Quebra do Silêncio
Campanha de Combate à violência contra as mulheres
Com o Ano Internacional da Mulher declarado
pela ONU em 1975, incrementaram-se as ações de combate
à violência contra a mulher que passaram a ganhar visibilidade.
No início da década de 80, para incentivar as mulheres
violentadas a proceder à denúncia, iniciou-se a histórica
campanha O SILÊNCIO É CUMPLICE DA
VIOLÊNCIA.
Encontrava-se ainda bem presente em nossa memória um crime ocorrido
em Cabo Frio em dezembro de 1976. Ângela Diniz fora assassinada
por seu companheiro Doca Street. A reação das mulheres
foi contundente. Desta vez não se alegou como motivo de absolvição
a “legítima defesa da honra”. Embora sempre presente
nas colunas sociais, a justiça condenou o assassino.
É preciso recordar a grande manifestação feminina
diante do Fórum na capital paulista por ocasião do julgamento
de Lindomar Castilho, assassino da ex-mulher Eliane de Grammont. A condenação
foi de 12 anos em regime fechado.
Nos dois casos, a violência tornada visível e seguida de
manifestações populares, contribuiu para que se quebrasse
a impunidade sob alegação de “legítima defesa
da honra”.
Por ocasião do assassinato de Selma Artigas, no ano de 1998,
em Ribeirão Preto, suas colegas correram para buscar partes do
corpo arrastado ao longo de mais de 2 quilômetros. Revoltadas
com a atrocidade, mobilizaram-se em amplas manifestações.
Certamente contribuíram para que a vítima não fosse
transformada em ré e o assassino fosse condenado.
Em 1980, quando o professor da Universidade de São Paulo, José
Arthur Giannotti, espancou a esposa, memorável foi a denúncia
pública efetuada pela vítima nas escadarias do Teatro
Municipal.
Maria da Penha Maia Fernandes escreveu um livro denunciando seu marido
agressor que tentou matá-la, mas não cumprira nenhuma
pena. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização
dos Estados Americanos), dirigida pelo jurista brasileiro Hélio
Bicudo, condenou o Estado brasileiro por negligência, omissão
e tolerância em relação à violência
doméstica contra as mulheres com pagamento de indenização
à vítima Maria da Penha.
Rendemos homenagem a essas mulheres
corajosas que ousaram quebrar o silêncio, prepararam a campanha
pelos direitos das mulheres na Constituinte e abriram caminho para que
outras deixassem de se calar. Afinal, “o silêncio é
cúmplice da violência”.
Iolanda
Toshie Ide
Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Lins;
Representante da Pastoral da Mulher Marginalizada no setor de Pastorais
Sociais da CNBB;
Coordenadora do Grupo de Pesquisa e Ação " Educação
e questões de Gênero", da UNESP de Marília
/ SP
novembro/2004
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