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Congregação Missionária Servas do Espírito Santo - Província Stella Matutina - SP/SP
 
Sentada para que outros se levantem

Há cinqüenta anos, no dia 1º de dezembro, a costureira negra Rosa Lee Parks adentrou o ônibus pela porta dos fundos (só para negros/as) como determinava a legislação. Sentou-se num dos assentos centrais reservados a brancos/as. Um homem branco entrou e ela se negou a lhe ceder o assento. Tinha os pés doloridos, decidiu dizer NÂO à discriminação. Foi presa, condenada e multada.

Episódio inverossímil não fosse a legislação vigente nos Estados Unidos. Até 1954, havia segregação escolar. Rosa Parks ganhou o título de “mãe do movimento pelos direitos civis”. Após sua condenação, o jovem Martin Luther King Jr liderou a Montgomery Improvement Association. Negros e negras boicotaram os ônibus durante 381 dias. Rosa não mais conseguiu emprego e se mudou de Montgomery (Alabama) para Detroit em 1957.

O pequeno gesto da frágil costureira, desencadeou um grande movimento que culminou em uma ainda maior mudança.

Na década de 60, a repressão foi muito violenta. Os pastores que pregavam contra o racismo não o faziam impunemente. Em 1963, uma bomba sobre uma igreja batista causou a morte de quatro meninas.

Ao norte de Montgomery, fica Birmingham, a cidade mais racista, segundo Luther King. Pouco ao sul, em Selma, em 1963, a marcha pacífica de 500 pessoas em direção a Montgomery acabou em tragédia. A polícia atacou com gás lacrimogêneo espancando violentamente negros e negras.

Menos de um mês depois, 25 mil marcharam pelo direito ao voto. Após 4 meses, o presidente assinou a lei que facultava aos negros a inscrição nas listas eleitorais. Selma hoje abriga o Museu do Direito ao Voto.

Dentre os vários prêmios recebidos por Rosa, consta a Medalha de Ouro do Congresso, considerada a maior homenagem oficial do governo dos EUA concedida a civis.

Em novembro de 2000 foi inaugurado o Museu Rosa Parks dedicado à luta contra a segregação racial. Atualmente Montgomery explora o turismo como a cidade da costureira que se recusou a ceder o assento para o branco.

Rosa faleceu aos 92 anos de idade, no dia 24 de outubro, cercada de amigos/as. Ao receber a notícia, o Pastor Jessé Jackson declarou: ela ficou sentada para que outros pudessem se levantar.

Iolanda Toshie Ide
Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Lins;
Representante da Pastoral da Mulher Marginalizada no setor de Pastorais Sociais da CNBB;
Coordenadora do Grupo de Pesquisa e Ação " Educação e questões de Gênero", da UNESP de Marília / SP

dezembro/2005

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