No dia 27 de abril deste ano aconteceu na região sul um Tribunal
Popular, organizado pelo Fórum em Defesa da Vida, do qual as
Missionárias Servas do Espírito Santo fazem parte desde
a sua fundação no final de 96.
As 200 organizações não-governamentais reunidas
neste Fórum denunciam o genocídio em relação
da população jovem masculina entre 14 - 25 anos. Sua taxa
fica em torno de 180 mortos por 100 mil/hab. Para termos uma idéia,
comparemos esta taxa com a de homicídios por 100mil/hab em outras
partes do mundo: La Paz 32; Bombay 5; Tokyo 2.
Esta nossa região com mais de 500.000 habitantes não possui
nem Hospital e nem Pronto Socorro. A situação é
tão grave que das 64 vagas para médicos nos postos de
saúde, apenas 2 são ocupadas. Justifica-se que os médicos
não querem vir trabalhar nestes bairros, distantes a 30 km do
centro, onde falta infra-estrutura e reina a violência.
O Tribunal foi presidido por um juiz da Associação dos
Juizes pela Democracia. Um Promotor Público fez a acusação
e, no banco dos réus, estavam representantes das Secretarias
de Saúde, municipal e estadual, e de Segurança Pública.
Pois, além da insegurança foi ressaltada a falta de investimento
na saúde.
Esta realidade está mobilizando a sociedade civil. O resultado
do júri popular era de se esperar: o Estado, responsável
pelo bem-estar da população, foi condenado por omissão.
Foi-lhe dado um prazo de 30 dias para negociar com a sociedade e estabelecer
um calendário de atuação. Se a atuação
não for satisfatória, a sociedade civil entrará
na justiça com ações civis públicas.
Após um mês, os prazos foram prolongados e, por ora, estamos
em negociação com diversas instâncias governamentais
para conseguir dinheiro, recursos humanos, desapropriação
de terrenos etc... A morosidade das instituições é
grande e, as necessidades, muitas.
Seguimos confiantes, na certeza da fé e na convicção
de que todas têm direito à vida plena. É confortador
saber que cada vez somos mais pessoas, empenhadas em defesa da vida.