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Congregação Missionária Servas do Espírito Santo - Província Stella Matutina - SP/SP


Núcleo de Convivência do Povo de Rua de Santo Amaro
recebe nome de SANTO DIAS

Depois da grande alegria pela vitória popular nas eleições de 2002, hoje, apenas alguns meses passados, muitas e muitos já perderam a esperança de que algo de verdadeiramente novo aconteça nesta Terra de Santa Cruz. Para essas pessoas, a esperança não é a última que morre, mas a primeira. Já não esperam mais nada de bom.
O grande poeta amazonense, Thiago de Mello, nos convida a escolher entre a escuridão e o sonho (utopia). Não há outra alternativa nessa nossa peregrinação ou travessia. Como ele, eu também, desde criança, sonhei e sempre sonharei, mas isso, se eu quiser. No meu sonho sempre está embutida a luta e o processo histórico, na maioria das vezes com passos pequenos, incertos e, aparentemente, insignificantes. Nunca pensei numa vitória definitiva, sem dores, sem recuos e recomeços, sem fidelidade ao compromisso, sem martírio e sem mártires.
Por isso, fiquei muito feliz ao participar, no dia 14 de agosto, juntamente com Ana Dias e Santinho (viúva e filho do mártir Santo Dias), do descerramento da placa que dá ao Núcleo de Convivência do Povo (homens) de Rua de Santo Amaro, o nome de Santo Dias da Silva. Lá encontrei muita gente conhecida, o pessoal da Rede Rua e outros Movimentos Populares e representantes do governo municipal. Todas essas pessoas e grupos estavam lá apostando no trabalho que está sendo desenvolvido com os últimos dos últimos da sociedade. Havia muitos Religiosos, Religiosas, pessoas movidas pela fé no Deus da Vida e outras tantas com um coração movido pela compaixão e pelo amor, irmanadas nesse mutirão da esperança.
Vi, sobretudo, esses nossos irmãos da rua que, com teatro, cantos, palavras ou pela simples presença corporal afirmavam serem humanos, gente, cidadãos e cidadãs, filh@s de Deus. É evidente que o MST, a Marcha das Margaridas (26/08), o Grito dos Excluídos, as manifestações das Pastorais Sociais e dos Movimentos Populares têm mais visibilidade e impacto na mídia, mas, para nós que vivemos no período obscuro da ditadura militar lutando pela vida e pela liberdade, é um imperativo histórico ver, valorizar e multiplicar esses pequenos e indispensáveis gestos de solidariedade e de amor. Homens e mulheres em situação de rua têm um lugar reservado e inalienável no mutirão para a construção de um outro mundo que é possível, necessário e urgente.

Pe Luis Giuliani - Diocese de Trento
Missão em Manaus/AM

Quem foi Santo Dias da Silva?
Santo Dias nasceu na cidade de Terra Roxa/SP, no dia 22 de fevereiro de 1942. Foi colono e bóia-fria.
Santo foi um cristão atuante. Participava da Igreja e das lutas dos trabalhadores rurais.
Mudou-se 1962 para a cidade de São Paulo em busca de melhores condições de vida. Casou-se com a Ana em 1965 e teve dois filhos, Santo e Luciana.
Em São Paulo Santo tornou-se um cristão comprometido nas Cebs e atuando como liderança na Pastoral Operária no Estado de São Paulo.
Sua militância na Oposição Sindical e seu trabalho de organização nas empresas, visando a formação das Comissões de fábricas, tornaram-no um líder reconhecido. Sua capacidade de articulação nos movimentos dos trabalhadores, nas fábricas, nos sindicatos, no movimento popular e nas Cebs dava-lhe credibilidade junto @s companheir@s e ao povo das comunidades.
Santo, como muitos outros mártires e heróis, atuava firme e corajoso para construir uma sociedade mais justa, com igualdade e participação de tod@s. Por isso, durante a greve dos metalúrgicos, ele foi assassinado pelo policial militar Herculano Leonel, no dia 30 de Outubro de 1979. A memória do Santo continua viva entre tod@s amantes de Justiça.

agosto/2003

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