Representantes
do Movimento Negro reuniram-se com cerca de 30 outros participantes
no espaço Rola Papo da Escola de Lideranças do CDHEP,
no dia 21 de novembro passado. O objetivo do encontro foi a comemoração
do dia de Zumbi dos Palmares, dedicado à Consciência Negra.
O programa coordenado por Fátima Neves, educadora do CDHEP, constou
primeiramente de música e dança que transmitiram um pouco
da mística e da resistência do movimento afro brasileiro.
Em seguida, Marisa Dandara e Maris Lúcia dos Santos, do Centro
de Cultura Negra, conduziram o papo-debate sobre "Políticas
Afirmativas", definidas pelas debatedoras como uma "discriminação
positiva", tendo em vista incluir parcelas da população
que historicamente têm sido excluídas. Nessa condição
encontram-se os aproximados 45% afro-brasileir@s.
O texto abaixo, assinado pelo Movimento Negro, serviu de inspiração
para que se colocasse em debate a questão das "Políticas
Afirmativas" como eixo principal do Rola Papo. O sistema de quotas,
tanto nas oportunidades de educação e de emprego como
em licitações públicas que, segundo Marisa e Maris,
poderia ser um elemento positivo nas políticas voltadas para
a afirmação da população negra, não
é consenso. É urgente tornar público o debate,
afirmaram.
O encontro, recheado de comidas típicas da cultura negra, preparadas
pela Toninha, contou com a presença de Cristina Bezerra, sub
prefeita da região do M`Boi Mirim e de outras lideranças
do Movimento.
Por
Movimento Negro
O dia 20 de novembro é o dia da Consciência Negra. A data
foi escolhida pelo Movimento Negro em contraposição ao
13 de maio (dia da suposta abolição da escravatura) e
é uma homenagem a Zumbi dos Palmares, que faleceu neste dia há
308 anos. Zumbi foi o líder do Quilombo dos Palmares - que é
considerado o maior foco de resistência negra à escravidão
no Brasil. Mais de três séculos após a sua morte,
constata-se que o racismo não deixou de existir, ou de se manifestar
cruelmente. Na verdade, a opressão de cor somente modernizou-se,
assim como a sociedade da opressão modernizou suas formas de
dominação durante os anos.
As diversas organizações ligadas à questão
racial têm essa data como um ponto de convergência para
manifestações e reflexões sobre suas formas de
luta e atuação por uma sociedade que saiba respeitar,
contemplar e congregar as diferenças. Podem ser tomadas como
exemplo a adoção - em meio a muitas discussões
ainda em vigência - das Ações Afirmativas - cotas
para negr@s, que já estão em vigor em universidades como
a UERJ, UnB, UFAL e UNEB e a lei que obriga o ensino da história
africana e afrobrasileira nas escolas, por exemplo.
Por
Fátima Neves
Em 21 de março de 2003, "Dia Internacional Pela Eliminação
da Discriminação Racial", o Governo Federal do Brasil
criou a Secretaria Especial de Políticas de Promoção
para a Igualdade Racial (SEPPIR). O ato é o reconhecimento das
lutas históricas do Movimento Negro Brasileiro e da necessidade
de:
implementar de iniciativas contra as desigualdades raciais no País;
Promover a igualdade e a proteção dos direitos de indivíduos
e grupos raciais e étnicos afetados pela discriminação
e demais formas de intolerância, com ênfase na população
negra;
acompanhar e coordenar políticas de diferentes Ministérios
e outros órgãos do Governo Brasileiro para a promoção
da igualdade racial;
articular, promover e acompanhar a execução de diversos
programas de cooperação com organismos públicos
e privados, nacionais e internacionais;
acompanhar e promover o cumprimento de acordos e convenções
internacionais assinados pelo Brasil, que digam respeito à promoção
da igualdade e combate à discriminação racial ou
étnica;
auxiliar o Ministério das Relações Exteriores nas
políticas internacionais, no que se refere à aproximação
de Nações do Continente Africano.
Cabe ressaltar que para conduzir a SEPPIR foi nomeada Matilde Ribeiro,
feminista, militante do Movimento Negro e assessora da Escola de Lideranças
do CDHEP, fato que foi muito comemorado pela Entidade.