Índia denuncia governo
A
indígena brasileira Edilene Bezerra, do povo Truká, vai
ao Sri Lanka para participar da Consulta Internacional sobre Mulheres
Defensoras dos Direitos Humanos. O Conselho Indigenista Missionário
(CIMI) informa que o encontro ocorre entre 29 de novembro de 02 de dezembro
na cidade de Colombo, capital do Sri Lanka, e faz parte de uma campanha
internacional de sensibilização da imprensa e das populações
sobre a condição das mulheres que atuam na defesa dos
direitos humanos. As violências vêm, muitas vezes, da repressão
dos Estados, de ataques ligados à sexualidade e de fundamentalismos
religiosos. Aproximadamente 200 pessoas são esperadas para participar
do encontro.
A
Consulta terá participação de Hina Jilani, representante
da Secretaria Geral sobre Defensores dos Direitos Humanos da ONU, que
vem ao Brasil no dia 14 de dezembro. Hina levantou que, em 2002, 70
dos 161 apelos urgentes que ela enviou aos governos eram sobre mulheres
defensoras dos direitos humanos ou de suas organizações.
Elas se deparam com desafios maiores quando atuam em espaços
dominados por homens, são muitas vezes estigmatizadas e, às
vezes, tornam-se vitimas de violações pelo fato de serem
mulheres.
Para
Edilene Truká, também chamada de Pretinha, as mulheres
indígenas que atuam na luta para a defesa de seus territórios
sofrem preconceito mais forte do que os homens. "Quando a mulher
tem este novo papel na sociedade, ela passa a ser ameaçada, porque
fica mais visível. As investidas são mais fortes. Somos
vistas como mais fracas e como se fosse mais fácil acabar com
a gente". Ela lembra o exemplo de Lourdes Cirilo, do povo Truká,
que liderou as retomadas de terras de seu povo em 1995, foi ameaçada
diversas vezes e teve que sair de sua terra. Hoje, ela vive fora da
Ilha de Assunção, território Truká. Também
em Pernambuco, Zenilda Xukuru é freqüentemente ameaçada
por sua atuação na luta de seu povo.
Pretinha
vai aproveitar a oportunidade de contato com relatores da ONU para novas
denúncias contra o governo Brasileiro, que "ainda não
fez nada para a punição dos assassinos de Dena e Jorge".
Os dois indígenas Truká foram assassinados por policiais
militares de Pernambuco, dentro da terra indígena deste povo,
em julho de 2005. Logo depois, Pretinha Truká esteve na ONU,
em Genebra, e denunciou o Estado brasileiro pela morte dos índios
e pela forma obscura como o inquérito estava sendo conduzido
pela polícia.
fonte: www.adital.com.br
novembro/2005