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Congregação Missionária Servas do Espírito Santo - Província Stella Matutina - SP/SP


Décimo Nono Domingo Comum - 13 de agosto de 2006
"Quem come deste pão viverá para sempre" - João 6, 41-51

Evangelho
Naquele tempo, os judeus começaram a murmurar a respeito de Jesus, porque havia dito: "Eu sou o pão que desceu do céu". Eles comentavam: "Não é este Jesus, o filho de José? Não conhecemos seu pai e sua mãe? Como então pode dizer que desceu do céu?"
Jesus respondeu: "Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos Profetas: 'Todos serão discípulos de Deus'.
Ora, todo aquele que escutou o Pai e por ele foi instruído vem a mim. Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. Em verdade, em verdade vos digo, quem crê possui a vida eterna.
Eu sou o pão da vida. Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer nunca morrerá. Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo". - Palavra da Salvação

Reflexão do Evangelho
O texto de hoje retoma o sexto capítulo de João, e nos situa no meio do discurso de Jesus sobre o “Pão da Vida”. O gancho que João usa para pendurar o discurso, é o pedido dos judeus em v. 35, “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. Em resposta, Jesus começa o seu grande discurso. Divide-se em duas partes. Na primeira parte (vv. 35-50), que inclui o texto de hoje, o pão celestial que nos nutre é a revelação ou o ensinamento de Jesus (o tema sapiencial); na segunda parte (vv. 51-58) será a eucaristia ( tema sacramental). O redator da comunidade joanina combinou “o pão do céu” com material eucarístico da Última Ceia e assim formou a segunda parte do discurso como um paralelo à primeira. Isso explica a ausência dum relato da instituição da eucaristia nos textos da Ceia em João; pois o seu conteúdo básico foi colocado aqui..

Como os seus antepassados murmuravam no deserto contra o pão que Deus mandava – o maná – agora eles queixam do novo maná. Aqui logo aparece uma característica do João – a ironia. Os judeus (aqui entende-se as autoridades judaicas e não o povo judeu) dizem que conhecem a origem de Jesus, pois só pensam na sua família, e Jesus mostra que na verdade não a conhece, pois eles não viram o Pai, a sua verdadeira origem. Aqui também aparece em v. 47 mais uma característica joanina – a escatologia realizada. Enquanto para os Sinóticos o juízo é algo que acontece no último dia, para João, freqüentemente, já aconteceu, pois a pessoa é salva ou condenada já, pela sua aceitação ou não de Jesus como o Filho de Deus.

Aqui, de novo João nos dá o que talvez seja um variante das palavras da instituição da eucaristia “O pão que eu vou dar é a minha própria carne, para que o mundo tenha a vida”( v. 51). João enfatiza que a Verbo Divino se tornou carne e tem entregue a sua carne como alimento da vida eterna.

O texto não é fácil, pois é extraído dum discurso muito mais cumprido e que forma uma unidade. Mas é ligado à multiplicação dos pães – a participação eucarística no corpo e sangue de Jesus exige uma vivência de partilha e solidariedade. Esse tema é caro a João e é retomado na sua Primeira Carta.

Pe Tomaz Hughes - SVD

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