Sexto Domingo de Páscoa - 5 de Maio de 2002
"Ele dará a vocês outro Advogado, para que permaneça
com vocês para sempre" - João 14, 15-21
Evangelho
Naquele
tempo, disse Jesus a seus discípulos: "Se me amais, guardarei
os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará um outro
Defensor, para que permaneça sempre convosco: O Espírito
da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque
não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque
ele permanece junto de vós e estará dentro de vós.
Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós.
Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós
me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. Naquele dia sabereis
que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós.
Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem
ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a
ele.” - Palavra da Salvação
Reflexão do Evangelho
O nosso texto dá início, dentro da primeira parte do Último
Discurso de Jesus, à seção trinitária, onde
o mesmo tema é aplicado ao Espírito (vv.15-17), a Jesus
(vv.18-22) e ao Pai (vv.23-24) - o tema sendo que, se nos guardarmos
os mandamentos, cada personagem divino virá e habitará
conosco.
O
Quarto Evangelho nos traz formulações muito bonitas referentes
à Trindade, e ao Espírito Santo, especialmente no último
Discurso de Jesus. Neste trecho, se dá ênfase à
necessidade de guardar os mandamentos, para que possamos receber o dom
do Espírito Santo. Aqui encontramos a primeira de duas promessas
no capítulo, da chegada do Paráclito, uma palavra grega
que significava, em nossa linguagem, o Advogado da Defesa. Em diversos
textos, João expressa a função do Espírito
dentro da comunidade pós-ressurrecional. Aqui, o Espírito
agirá como defensor dos discípulos diante dos ataques
do mundo de incredulidade (lembremos, que na época do escrito,
a comunidade joanina estava sofrendo muitos ataques de diversas origens).
Vale a pena notar aqui que o Espirito Santo será "outro
Paráclito" pois Jesus já tinha sido defensor dos
discípulos durante a sua vida terrestre, e continuará
a sê-lo no céu. O Espírito Santo será o espírito
da Verdade, ou seja, o Espírito que revelará ao mundo
a verdade sobre Jesus, como Jesus já tinha feito, mostrando-nos
a verdade sobre o Pai.
A
partir do v.18, como fez no início do capítulo 14, Jesus
volta a consolar os seus discípulos, e a falar da sua volta.
Só que aqui não se refere tanto à sua vinda na
Parusia, ou a Segunda Vinda, mas uma volta espiritual, através
de inhabitação divina em cada discípulo, uma presença
real que fará com que os discípulos compreendam que Jesus
e o Pai são um. Assim, os discípulos conhecerão
a relação verdadeira entre Jesus e o Pai, e descobrirão
que existe o mesmo relacionamento entre Jesus e eles próprios.
De novo, põe-se a observância dos mandamentos como precondição
para que aconteça essa presença, espiritual mas real.
Mas a observância dos mandamentos não é uma simples
exigência legal, mas a demonstração do amor dos
discípulos para Jesus.
Atrás
desse texto está o desejo do autor de fortalecer a fé
da sua comunidade em tempos difíceis. Assim tem muita relevância
para a Igreja, a comunidade dos discípulos hoje. Como então,
as vezes a nossa fé poderá vacilar diante dos ataques,
da perseguição ou até da indiferença do
mundo. O texto procura renovar nos leitores a certeza da presença
da Trindade no nosso meio - pois o Espírito nos dará força
para que vençamos as dificuldades e sofrimentos que eventualmente
poderão nos assolar, individual ou comunitariamente. Mas também
insiste na necessidade de criarmos uma comunidade de amor e solidariedade,
para que a inhabitação divina em cada pessoa e na comunidade
possa tornar-se uma força efetiva no fortalecimento da nossa
fé, da nossa caminhada. E lembremo-nos, que no Quarto Evangelho,
o Grande Mandamento era de amar-nos uns aos outros, como ele nos amou,
ou seja na doação de nós mesmos na luta de criar
um mundo onde se vive o sonho de Jesus, que veio "para que todos
tenham a vida e vida em abundância"(Jo 10,10).
Pe
Tomaz Hughes - SVD