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Congregação Missionária Servas do Espírito Santo - Província Stella Matutina - SP/SP


Sexto Domingo da Páscoa - 16 de maio de 2004
"Eu lhes dou a minha paz" - João 14, 23-29

Evangelho
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. Quem não me ama, não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou.
Isso é o que vos disse enquanto estava convosco. Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito.
Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes que eu vos disse: ‘Vou, mas voltarei a vós’. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu.
Disse-vos isso, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis. - Palavra da Salvação

Reflexão do Evangelho
porta de entrada do texto é o versículo anterior, onde Judas, não o Iscariotes, pergunta a Jesus durante a Última Ceia, "porque vais manifestar-se a nós e não ao mundo?"(v.22). Jesus dá a resposta - o Pai vem morar no cristão que guarda a sua palavra, pois as suas palavras são as do Pai. O mundo (aqui entendido como o anti-reino, não o mundo físico) não ama a Deus. E a presença de Deus só pode ser experimentado por aquele que o ama. E não é possível amar a Deus sem guardar a sua palavra.
Versículo 26 traz a segunda predição no Último Discurso da vinda do Paráclito (veja Jo 14,15). Aqui se focaliza mais o seu papel de ensinamento, um ensinamento que clarifica o que Jesus ensinou. Ele vai fazer com que os discípulos "lembrem" tudo o que Jesus disse. Aqui "lembrar" significa a capacidade de entender o verdadeiro sentido das palavras e ações de Jesus, depois da Ressurreição (2,22; 12,16). O Espírito Santo, aqui descrito como Paráclito (no sistema judicial grego, o Paráclito era o advogado da defesa), não traz ensinamento que seja independente da revelação de Jesus. Ele vai preservar os discípulos de erro e guardá-los perto de Jesus.
Com este dom, Jesus deixa com a sua comunidade a sua paz. Ele usa a palavra tradicional dos judeus para a paz, "Shalom". É uma paz baseada na vinda do Espírito, que será atualizada na noite de Páscoa quando dirá "A paz esteja com vocês! Recebam o Espírito Santo"(Jo 20,21-22). Enfatiza que não é a paz como o mundo a entende - muitas vezes simplesmente como a ausência de briga. Muitas vezes a paz que o mundo dá é aquela falsa, que depende da força das armas para reprimir as legítimas aspirações do povo sofrido - como tantos países experimentaram durante as ditaduras de direita e da esquerda. O "shalom" é tudo o que o Pai quer para o seu povo. Só existe quando reina o projeto de vida de Deus. Implica a satisfação de todas as necessidades básicas da pessoa humana, da libertação da humanidade do pecado e das suas conseqüências. Como dizia o saudoso Papa Paulo VI , "Justiça é o novo nome da paz!". O "shalom" dos discípulos não pode ser perturbado pelo fato da sua partida, pois é através da volta do Filho para o Pai que o Shalom via se instalar.
O "shalom", a verdadeira paz, é um dom de Deus. Mas Ele pede a colaboração humana! Diante de tantas barbaridades hoje, de tanta violência no campo, da exploração do latifúndio, da impunidade, qual deve ser a atitude do cristão? Se nós acreditamos no shalom, nunca podemos compactuar com sistemas repressivos ou elitistas que tiram da maioria (ou duma minoria) os direitos básicos que pertencem a todos os filhos de Deus. As vezes, este shalom convive ao lado do sofrimento e perseguição por causa do Reino, mas quem experimenta na intimidade a presença da Trindade, também experimenta a verdade da frase do texto de hoje, "não fiquem perturbados, nem tenham medo"(v.27), pois disse Jesus, "eu venci o mundo". Por isso devemos sempre "fazer a memória de Jesus"- da sua pessoa e do seu projeto, para que tenhamos critérios certos para verificar a presença - ou ausência - do "shalom" na nossa sociedade e comprometermos com a criação do mundo mais justo que Deus quer.

Pe Tomaz Hughes - SVD

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