Evangelho
No
primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus,
bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha
sido retirada do túmulo. Então ela saiu correndo e foi
encontrar Simão Pedro e outro discípulo, aquele que Jesus
amava, e lhes disse: "Tiraram o Senhor do túmulo, e não
sabemos onde o colocaram".
Saíram, então, Pedro e outro discípulo e foram
ao túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo
correu mais depressa que Pedro e chegou ao túmulo. Olhando para
dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou.
Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás,
e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão
e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não
posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte.
Então entrou também o outro discípulo, que tinha
chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e acreditou. De fato, eles
ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele
devia ressuscitar dos mortos. - Palavra da Salvação
Reflexão do Evangelho
Os
quatro evangelhos relatam os acontecimentos do Dia da Ressurreição,
cada um de acordo com as suas tradições. Mas certos elementos
são comuns a todos: o fato do túmulo vazio, que as primeiras
testemunhas eram as mulheres (embora divirjam quanto ao seu número
e identidade e o motivo da sua ida ao túmulo - para ungir o corpo,
ou para vigiar e lamentar), e que uma delas era Maria Madalena. Podemos
tirar disso a conclusão que as mulheres tinham lugar muito importante
entre o grupo dos discípulos de Jesus, e que elas eram mais fiéis
do que os homens, seguindo Jesus até a Cruz e além dela!
Infelizmente, outras gerações fizeram questão de
diminuir a importância das discípulas na tradição
– e a Igreja sofre até hoje as conseqüências.
Fica claro que ninguém esperava a Ressurreição.
Para os discípulos, a Cruz era o fim da esperança, a maior
desilusão possível. Se somamos a isso o fato que todos
eles traíram Jesus (por revolta, por dinheiro, ou por covardia),
podemos imaginar o ambiente pesado entre eles na manhã do Domingo.
Nesse meio chega a Maria Madalena com a notícia de que o túmulo
estava vazio - e ela, naturalmente, pensa que o corpo tinha sido roubado.
Ressurreição - nem pensar!
No nosso texto, Pedro (que tem um papel importante nos textos pós-ressurrecionais)
e o Discípulo Amado (anônimo, mas quase certamente não
um dos doze, conforme os maiores exegetas) correm até o túmulo.
O texto deixa entrever a tensão histórica que existia
entre a comunidade do Discípulo Amado e a comunidade apostólica
(representada por Pedro). Pois o Discípulo Amado espera por Pedro
(reconhece a sua primazia), mas enquanto Pedro vê sem acreditar,
o Discípulo Amado acredita. No Quarto Evangelho, Pedro só
realmente vai conseguir amar Jesus no Capítulo 21, enquanto o
Discípulo Amado é o tal desde Capítulo 13. Só
quem olha com os olhos do coração, do amor, penetra além
das aparências!
Como na historia dos Discípulo de Emaús (Lc 24, 13-36),
o texto demonstra que a nossa fé não está baseada
num túmulo vazio! Não é o túmulo vazio que
fundamenta a nossa fé na Ressurreição, mas o contrário
- e a experiência da presença de Jesus Ressuscitado que
explica porque o túmulo é vazio! Cuidemos de não
procurar bases falsas para a nossa fé no Ressuscitado!
Hoje em dia, quando olhamos para o mundo ao nosso redor, é fácil
não acreditar na vitória da vida sobre a morte. Há
tanto sofrimento e injustiça - guerra, violência, corrupção
endêmica, salário mínimo minguado, desemprego, saúde
e educação sucateadas! Só uma experiência
profunda da presença de Jesus libertador no meio da comunidade
poderá nos sustentar na luta por um mundo melhor, com fé
na vitória final do bem sobre o mal, da luz sobre as trevas,
da graça sobre o pecado! Nós todos somos discípulos
amados, pois “nada nos separa do amor e Deus em Jesus Cristo”
(cf. Rom 8), mas será que somos discípulos amantes? Será
que amamos a Jesus e ao próximo? E lembramos que o amor proposto
pelo evangelho, não é um sentimento, mas uma atitude de
vida, de solidariedade, de partilha, de justiça. “O amor
consiste no seguinte: não fomos nós que amamos a Deus,
mas foi ele que nos amou, e nos enviou o seu Filho como vítima
expiatória por nossos pecados. Se Deus nos amou a tal ponto,
também nós devemos amar-nos uns aos outros”(I Jo
4, 10-11).
Que a mensagem da Ressurreição, da vitória da vida
sobre a morte, nos anime e dê força, especialmente quando
a Cruz pesar muito em nossas vidas.
Pe
Tomaz Hughes - SVD