Evangelho
No décimo quinto ano do império de Tibério César,
quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia, Herodes
administrava a Galiléia, seu irmão Filipe, as regiões
da Ituréia e Tranconítide, e Lisânias a Abilene;
quando Anás e Caifás eram sumos sacerdotes, foi então
que a palavra de Deus foi dirigida a João, o filho de Zacarias,
no deserto.
E ele percorreu toda a região do Jordão, pregando um batismo
de conversão para o perdão dos pecados, como está
escrito no Livro das palavras do profeta Isaías:
"Esta é a voz daquele que grita no deserto: 'preparai o
caminho do Senhor, endireitai suas veredas. Todo vale será aterrado,
toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas
ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados.
E todas as pessoas verão a salvação de Deus' ".
- Palavra da Salvação
Reflexão
do Evangelho
Atrás das informações históricas deste texto,
referentes às autoridades seculares e religiosas que teriam influência
nos primórdios do cristianismo, jaz a realidade trágica
da resposta negativa deles à Palavra de Deus e aos seus mensageiros,
João o Batista, e Jesus, o Cristo! Na pessoa do Pôncio
Pilatos, a autoridade romana vai agir na decisão de assassinar
o Messias; entre os governantes da Palestina, Herodes Antipas aparece
diversas vezes no Evangelho, sempre com juízo negativo, e será
o responsável pela morte de João, além de estar
presente no sofrimento de Jesus na Semana Santa; Anás (Sumo Sacerdote
de 6 - 15 d.C) e o seu genro Caifás (Sumo Sacerdote de 18 -37
d.C) só funcionam porque os romanos permitiam e realmente foi
a eles que serviam. Os sumos sacerdotes sempre serão hostis a
Jesus e à sua pregação e no fundo eram eles os
responsáveis pela sua morte.
No
meio deste elenco de poderosos corruptos e perseguidores, Deus manda
João, o Batista, como arauto do novo tempo de graça e
salvação. Deus não permite que a perversidade e
a maldade tenham a palavra final na história da humanidade. Essa
será mais tarde a mensagem básica do Apocalipse - o mal
já é um derrotado, e embora possa parecer diferente, é
Deus e não a maldade que controla a caminhada da história.
Mensagem de conforto às comunidades sofridas do fim do primeiro
século. Mas esta vitória não se concretiza sem
que haja luta, sacrifício, e cruz!
Lucas põe na boca de João um trecho de Isaías:
"Esta
é a voz daquele que grita no deserto: preparem o caminho do Senhor,
endireitem as suas estradas. Todo vale será aterrado, toda montanha
e colina serão aplainadas; as estradas curvas ficarão
retas, e os caminhos esburacados serão nivelados. E todo homem
verá a salvação de Deus"(v.4-6).
Sem
dúvida, podemos entender este trecho num sentido metafórico,
como descrição duma mudança radical no estilo de
vida de quem quer aceitar o convite à penitência e arrependimento.
Os vales a serem aterrados, as montanhas e colinas a serem aplainadas,
os caminhos esburacados a serem nivelados, simbolizam os impecilhos
em nossas vidas a um seguimento mais radical e coerente de Jesus. Quem
aceita a sua mensagem terá que mudar radicalmente - isso é,
na raiz - a sua vida. Advento, embora não seja tempo de penitência
no sentido que a Quaresma é, se torna tempo oportuno para uma
revisão de vida, para descobrir quais são as curvas, montanhas,
e pedras que teremos que tirar para que o Senhor realmente possa habitar
nos nossos corações.
O
último versículo:"E todo homem verá a salvação
de Deus"(v.6) faz eco ao tema lucano da universalidade da salvação,
usando esta frase que não se encontra no texto paralelo de Mc
1,3. Ninguém é excluída da mensagem e oferta da
salvação. Mas a resposta depende de cada um de nós!