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Congregação Missionária Servas do Espírito Santo - Província Stella Matutina - SP/SP


Terceiro Domingo do Advento - 17 de dezembro de 2006
"Ele é quem batizará vocês com o espírito Santo e com fogo" - Lucas 3, 10-18

Evangelho
Naquele tempo, as multidões perguntavam a João: "Que devemos fazer?" João respondia: "Quem tiver túnicas dê uma a quem não tem; e quem tiver comida faça o mesmo!"
Foram também para o batismo cobradores de impostos, e perguntaram a João: "Mestre, que devemos fazer?" João respondeu: "Não cobreis mais do que foi estabelecido".
Havia também soldados que perguntavam: "E nós, que devemos fazer?" João respondia: "Não tomeis à força dinheiro de ninguém, nem façais falsas acusações; ficai satisfeitos com o vosso salário!"
O povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. Por isso, João declarou a todos:
"Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo. Ele virá com a pá na mão: vai limpar sua eira e recolher o trigo no celeiro; mas a palha, ele a queimará no fogo que não se apaga".
E ainda de muitos outros modos João anunciava ao povo a boa nova. - Palavra da Salvação

Reflexão do Evangelho
Esta passagem trata da pregação de João Batista, que: “Percorria toda a região do rio Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados”( v.3)
Os versículos 10-14, que constam somente em Lucas, demonstram bem a sua teologia e contexto - não são os líderes religiosos que estão prontos para arrepender-se, mas o povo comum, e até pessoas que estavam à margem da sociedade, - como cobradores de impostos e soldados. Mais adiante no Evangelho, são estas as pessoas que vão responder positivamente diante da pregação do próprio Jesus. Escrevendo para as comunidades pelo ano 80-85 d.C., Lucas quer lembrar os cristãos que eles também devam estar abertos para achar sinceridade e bondade fora das vias “aceitáveis”- como fizeram João e Jesus!

A frase lapidar do trecho é a pergunta que os diversos grupos formulam para João: “O que devemos fazer?” Esta pergunta aparece mais vezes no Terceiro Evangelho, em Lc 10, 25 (na boca dum doutor da Lei) e Lc 18,18 (uma pessoa importante), e também nos Atos dos Apóstolos: At 2,37 (os judeus depois da pregação do Pedro), At 16,30 (o carcereiro gentio de Filipos), At 22,10 (Saulo, o perseguidor). Usando este artifício, Lucas quer salientar que é uma pergunta que tem que ser feito constantamente durante a nossa caminhada. Não há cristão que possa se dispensar de fazê-la sempre, por achar que já sabe a resposta.

É interessante que João, embora uma pessoa de cunho fortemente ascético, não exige sacrifícios, ou práticas religiosos como jejum e abstinência. Ela enfatiza uma exigência muito mais radical, que atinge o cerne do nosso ser - uma preocupação com os mais pobres, manifestada na busca de justiça e solidariedade. As nossas Campanhas da Fraternidade seguem esta linha de João - pois muitas vezes é mais fácil abster duma carne ou duma bebida do que engajar-se na luta por um mundo melhor.

Este trecho traz à tona mais uma vez um dos temas principais do Evangelho de Lucas - o uso correto dos bens materiais. No fundo, João aqui prega antecipadamente o que mais tarde Jesus vai ensinar - a partilha dos bens com as pessoas que sofrem necessidades, a justiça nos relacionamentos econômicos e políticos, a conversão que se manifesta numa mudança radical da vida.

A segunda parte da passagem insiste que João é inferior a Jesus. João batiza com água como agente de purificação, mas Jesus usará a força purificadora maior do Espírito Santo e do fogo. Lucas vai mostrar em Atos 2 - na história de Pentecostes - como o fogo do Espírito Santo cumpre a sua missão nas pessoas.

O texto termina com a declaração que “João anunciava a Boa Notícia ao povo de muitos outros modos”(v.18). O que João prega é tão semelhante ao que Jesus pregará que também merece ser taxado de “Boa Notícia”. A boa notícia da chegada da misericórdia e da salvação de Deus duma forma gratuita, mas que exige resposta de cada pessoa. É a crise existencial do mundo todo - aceitar ou rejeitar a salvação oferecida gratuitamente em Jesus. Para Lucas, esta decisão tem que ser renovada sempre, através da pergunta “o que devemos fazer?”, enquanto continuamos andando “pelo caminho”!

Pe. Tomaz Hughes - SVD

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