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Congregação Missionária Servas do Espírito Santo - Província Stella Matutina - SP/SP


Primeiro Domingo do Advento - 30 de novembro de 2003
"A libertação de vocês está próxima" - Lucas 21,25-28.34-36

Evangelho
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: "Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas.
Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.
Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida e esse dia não caia de repente sobre vós; pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra.
Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem". - Palavra da Salvação

Reflexão do Evangelho
Neste primeiro domingo do Ano Litúrgico, Lucas nos mergulha num dos discursos escatalógicos do Evangelho. Sendo assim, usa imagens e símbolos que não são da nossa cultura e época, e por isso nem sempre são fáceis a serem compreendidos, mesmo que fossem claros para os leitores daquele época. Mas na literatura apocalíptica não é necessário interpretar cada imagem detalhadamente - o mais importante não é cada pedra do mosaico, mas o padrão inteiro - não cada imagem e símbolo, mas a sua mensagem.

O texto nos apresenta a figura do "Filho do Homem" - o título que nos Evangelhos Jesus mais usava para si mesmo, e que nós quase nunca usamos. Este título vem dum trecho do livro apocalíptico de Daniel: Em imagens noturnas, tive esta visão: entre as nuvens do céu vinha alguém como um filho de homem... Foi-lhe dado poder, glória e reino, e todos os povos, nações e línguas o serviram. O seu poder é um poder eterno, que nunca lhe será tirado. E o seu reino é tal que jamais será destruído."(Dn 7,13s)

Então Jesus recorda aos seus discípulos a mensagem de ânimo que o Livro de Daniel trazia aos perseguidos do tempo dos Macabeus, pelo ano 175 a.C. - que embora possa parecer que os poderes deste mundo, os impérios opressores, sejam mais fortes do que o poder de Deus, não passa duma ilusão. Pois, na plenitude dos tempos, Deus, através do seu messias - o Filho do Homem - revelará o seu poder, e estabelecerá um Reino que jamais será destruído. E isso acontece agora em Jesus!

Qualquer interpretação dum texto apocalíptico que causa medo nos ouvintes, é necessariamente errada, pois a função da apocalíptica é de animar e dar coragem aos oprimidos e sofredores. Por isso, o ponto central do nosso texto de hoje é uma mensagem de ânimo, coragem e fé: "Quando essas coisas começarem a acontecer, levantem-se e erguem a cabeça, porque a libertação de vocês está próxima."(v.28)

Este trecho tem uma dimensão fortemente cristológica - nos afirma que Jesus, o Filho do Homem vitorioso, está em controle do todos as forças, sejam elas de guerra (v.9) ou do mar - símbolo de forças indomináveis para os judeus (v.25). E o versículo acima citada traz uma mensagem cheia de confiança: em contraste com a atitude de covardia dos malvados (v.26), os discípulos ficarão com a cabeça erguida, para acolher o juiz justo, o Filho do Homem.

Mesmo assim, os eleitos devem ficar atentos para não caírem. Devem cuidar muito para que: "Os corações ... não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida." (v.34). Pois é fácil assumir as atitudes do mundo, sem que notemos, a não ser que sejamos vigilantes. Por isso, o texto de hoje termina com um conselho válido também para os discípulos dos tempos modernos: "Fiquem atentos e rezem todo o tempo, a fim de terem força"(v.36)

Quase dois mil anos atrás, o precursor do Império de hoje, o Romano, tentou, aliado com seus auxiliares locais, acabar com um projeto de vida, matando o seu arauto, Jesus de Nazaré. A força parecia ter a última palavra. Mas a verdade era outra – a força do Império era ilusão, pois Deus ressuscitou Jesus de dentro dos mortos, mostrando que o mal nunca é mais forte do que o bem, a morte do que a vida, a opressão do que a libertação.

Recentemente, diante da situação da guerra, o Papa João Paulo II pediu que os cristãos não perdessem a esperança, mesmo que, como ele disse, "pode parecer que Deus tem entregado o mundo nas mãos dos homens do mal!" Pois as aparências enganam! O que parecia derrota absoluta em Calvário, foi de fato a vitória última do bem! Da semente caída na terra e morta, nasceu muitas espigas de vida. O mesmo acontece hoje. Os EUA não são mais o único superpotência, pois nasce um outro – a força de milhões de pessoas de boa vontade que querem dar um "basta" à prepotência, à opressão, ao projeto de morte do sistema neoliberal. O que nasceu em Seattle e Praga, cresceu em Genova e agora explodiu num movimento pelo bem que uniu como nunca visto antes, dezenas de milhões de pessoas de todas as raças e nações, de todas as línguas e culturas, de todas as religiões e de nenhuma. O mundo nunca mais será o mesmo diante deste novo movimento. Os dias do Império estão contados, não somente o império político e econômico, mas o dos barões do narcotráfico, da máfia e outros (todo Império tem pés de barro, como ensina o Livro de Daniel e toda a literatura apocalíptica). O projeto de Deus, concretizado em Jesus e continuado hoje por nós, vencerá o projeto de Bush, Blair, Rumsfeld e os arbutres do complexo industrial-militar e petrolífero, que só sugam o sangue dos inocentes para que aumentem os seus lucros imundos. A união das pessoas comuns vencerá a dominação dos propagadores do terror – quando, animados pela sua fé, seja com a expressão teológica que for, descobrirem a força da união, da solidariedade, da não violência que inspira uma luta decidida pela verdadeira paz.

Advento é tempo oportuno para que examinemos a nossa vida para descobrir se realmente estamos atentos o tempo todo, para não perdermos as manifestações da presença de Jesus no meio de nós. É tempo de nos dedicarmos mais à oração, para renovarmos as nossas forças, para não cairmos na armadilha da "inatenção" no meio das preocupações e barulho do mundo moderno, para que os nossos corações continuem "sensíveis" aos apelos do Senhor, através dos irmãos, no nosso dia-a-dia!

Pe. Tomaz Hughes - SVD

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