Evangelho
- Palavra da Salvação
Reflexão do Evangelho
Na Igreja Católica, hoje é celebrada a festa da Sagrada
Família. Portanto, o trecho de Lucas põe em relevo os
três membros da família de Nazaré, - mas tem como
o seu tema principal, um ensinamento sobre quem é Jesus, a sua
relação ao Pai e à sua família humana.
A história começa enfatizando a identidade da família
humana de Jesus como judeus piedosos. Os regulamentos sobre as peregrinações
ao Templo de Jerusalém, para a festa de páscoa, se encontram
em Ex 23,17;34.23; Lv 23,4-14. Como conseqüência, entendemos
que o ambiente em que Jesus cresceu - e em que descobriu a sua vocação
e missão - é aquele dos “pobres de Javé”,
os devotos que esperavam a libertação de Israel, através
da vinda do Messias davídico prometido. Esta viagem prefigura
a grande viagem de Jesus à Jerusalém em Lc 9,51 - 19,27,
que ela fará com os seus discípulos, e onde ele revelará
por palavras e ações o seu relacionamento com o Pai -
prefigurado aqui no versículo 49.
O texto salienta certas atitudes de Jesus. É bom prestar bem
atenção aos verbos . Lucas diz que Jesus estava no templo
entre os doutores: “escutando e fazendo perguntas.” ( v.
46). A atitude de Jesus é a dum aluno muito inteligente, e não
dum mestre - ele não está “ensinando no Templo”,
como muitas vezes dizemos em nossas tradições. Aqui, Lucas
talvez antecipe para os doze anos o que realmente ocorrerá mais
tarde, quando Jesus realmente ensina no Templo, e sofre a rejeição
e a perseguição por parte dos doutores de Lei e Sumos
Sacerdotes.
O ponto central do texto se acha em versículo 49: “Porque
me procuravam? Não sabiam que eu devo estar na casa do meu Pai?”
Aqui Lucas relata os primeiros palavras de Jesus na Evangelho. Agora
não é Gabriel, nem Zacarias, nem Maria quem diz quem é
Jesus, mas ele mesmo. A palavra que nos traduzimos como “devo”,
em grego “dei”, transmite o tema de “necessidade”,
que aparece no Evangelho 18 vezes e nos Atos dos Apóstolos 22
vezes, e “expressa um senso de compulsão divina, freqüentemente
visto como obediência à uma ordem da escritura ou profecia,
ou na conformidade de eventos com a vontade de Deus. Aqui a necessidade
consiste na relacionamento inerente de Jesus a Deus que exige obediência.”
(Marshall - “The Gospel of Luke”)
Em versículo 50, fica claro que os seus pais não entenderam
que o seu relacionamento com o Pai celeste tomava precedência
sobre a sua relação com eles: “Eles não compreenderam
o que o menino acabava de lhes dizer.”
A “espada”- a dor de sentir esta distanciamento, sem poder
compreendê-lo - de que falou Simeão em 2,35, já
começa a aparecer. Maria não compreende plenamente - retomando
o tema de v. 19 - e tem que continuar a sua caminhada de fé,
meditando sobre o sentido e identidade do seu filho. Fato encorajador
para nós. Quantas vezes acontecem coisas nas nossas vidas que
não compreendemos, nem conseguimos ver a vontade de Deus. Ao
exemplo de Maria e José, aceitemos esta escuridão, continuemos
a caminhada, mas nunca deixemos, num atitude de oração
de contemplação de “conservar no nosso coração
todas essas coisas”!