Segundo Domingo da Quaresma - 7 de março de 2004
"Quem quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz,
e me siga" - Lucas 9,28-36
Evangelho
Naquele tempo, Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu
à montanha para rezar. Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência
e sua roupa ficou muito branca e brilhante. Eis que dois homens estavam
conversando com Jesus: eram Moisés e Elias. Eles apareceram revestidos
de glória e conversavam sobre a morte que Jesus iria sofrer em
Jerusalém.
Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Ao despertarem, viram
a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele. E quando
estes homens se iam afastando, Pedro disse a Jesus. "Mestre, é
bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para
Moisés e outra para Elias". Pedro não sabia o que estava
dizendo.
Ele estava ainda falando, quando pareceu uma nuvem que os cobriu com sua
sombra. Os discípulos ficaram com medo ao entrarem dentro da nuvem.
Da nuvem, porém, saiu um voz que dizia: "Este é o meu
Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!" Enquanto a voz ressoava,
Jesus encontrou-se sozinho.
Os discípulos ficaram calados e naqueles dias não contaram
a ninguém nada do que tinham visto. - Palavra da Salvação
Reflexão do Evangelho
Este trecho vem logo após o diálogo com Pedro e os discípulos
sobre quem era Jesus e como deveria ser o seu seguimento: "Se alguém
quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e me
siga"(9,23). Começando a passagem com as palavras: "oito
dias após dizer essas palavras" Lucas quer ligar estreitamente
o texto com a mensagem anterior sobre a cruz.
O
texto destaca um aspecto de Jesus que é muito caro a Lucas -
o fato que ele era um homem de oração. Neste momento ele
"subiu à montanha para rezar"(v.28). Durante a oração
aparecem Moisés e Elias, símbolos da Lei e dos Profetas.
Assim Lucas mostra que Jesus está em continuidade com as Escrituras,
isso é, o caminho que Jesus segue está de acordo com a
vontade de Deus. Os dois personagens, tanto Moisés como Elias,
eram profetas rejeitados e perseguidos no seu tempo - Lucas aqui vislumbra
o destino de Jesus, de ser rejeitado, mas também de ser vindicado
por Deus. Pedro, ao despertar do sono, faz uma sugestão descabida:
"Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas:
uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias"(v.33).
Claro, era bom ficar ali, num momento místico, longe do dia-a-dia,
da caminhada, das dúvidas, dos desentendimentos, da luta. Quem
não iria querer? Mas não era uma sugestão que Jesus
pudesse aceitar. Terminado o momento de revelação, "Jesus
estava sozinho" e no dia seguinte "desceram da montanha"(v.37).
Por tão gostoso que seja ficar no Monte Tabor, é precisa
descer para enfrentar o caminho até o Monte Calvário!!
A experiência da Transfiguração está intimamente
ligada com a experiência da Cruz!! Quem sabe, talvez a experiência
do Tabor desse a Jesus a coragem necessário para agüentar
a experiência bem dolorida do Calvário!
Aplicando
o texto e a sua mensagem a todos os cristãos, podemos deduzir
que todos precisam subir Monte Tabor para serem transfigurados, para
depois descerem para "lavar os pés" dos irmãos
e irmãs! Todos nós - seja qual for a nossa vocação
- precisamos de momentos de oração profunda, de união
especial com Deus. Mas estas experiências não são
"intimistas"- aprofundam a nossa fé e o nosso seguimento,
para que possamos seguir o exemplo dele que lavou os pés dos
discípulos: "Eu, que sou o Mestre e o Senhor, lavei os seus
pés; por isso vocês devem lavar os pés uns dos outros".
(Jo 13,14)
Também
este trecho pode nos ensinar a valorizar os momentos de "Tabor",
os momentos de paz, de reflexão, de oração. Pois,
se formos coerentes com a nossa fé, teremos muitas vezes de fazer
a experiência de "Calvário"! E somos fracos demais
para agüentar esta experiência - por isso busquemos forças
na oração, na Palavra de Deus, na meditação
- mas sempre para que possamos retomar o caminho, como fizerem Jesus
e os três discípulos! Para os momentos de dúvida
e dificuldade, o texto nos traz o conselho melhor possível, através
da voz que saiu da nuvem: "Este é o meu Filho, o Escolhido.
Escutem o que ele diz!"(v.35). Façamos isso, e venceremos
os nossos Calvários!!
Pe.
Tomaz Hughes - SVD
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