Evangelho
Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.
Está escrito no Livro do profeta Isaías: “Eis que
envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho.
Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘Preparai o
caminho do Senhor, endireitai suas estradas!’”
Foi assim que João Batista apareceu no deserto, pregando um batismo
de conversão para o perdão dos pecados. Toda a região
da Judéia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu
encontro. Confessavam seus pecados e João os batizava no rio
Jordão.
João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel
do campo. E pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém
mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar
suas sandálias. Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará
com o Espírito Santo”. — Palavra da Salvação.
Reflexão do Evangelho
O Evangelho de Marcos foi o primeiro dos quatro evangelhos canônicos
a ser escrito, provavelmente pelo ano 70, ou na Síria, ou em
Roma. Marcos tem o grande mérito de ser o criador desse gênero
literário, hoje tão conhecido, chamado “Evangelho”,
o que literalmente significa “Boa Nova” ou “Boa Notícia”.
Porém, quando no primeiro versículo da sua obra ele se
refere ao “começo do Evangelho”, ele não se
refere ao gênero literário, mas à própria
Boa Nova, que é a mensagem de salvação em Jesus,
“o Messias, o Filho de Deus”. Pois o escrito é somente
uma das maneiras viáveis para comunicar a experiência dessa
Boa Notícia, - tanto que Paulo, que nunca leu um dos quatro Evangelhos
(pois morreu pelo ano 66) pôde falar aos Gálatas do “Evangelho
por mim anunciado” (Gal 1,11).
Como parte da nossa preparação para o Natal, o texto de
hoje nos apresenta a pessoa e mensagem dum dos grandes personagens do
Advento – João Batista. Usando uma mistura de citações
do Antigo Testamento, tiradas do profeta Malaquias 3,20, Isaías
40,3 e Ex 23,20, Marcos enfatiza o papel de João como Precursor
– aquele que prepara o caminho do Senhor. O fato de João
estar vestido com pele de camelo, faz uma ligação entre
ele e o “pai do profetismo”, Elias. Assim, João é
a última voz profética da Antiga Aliança, anunciando
a chegada da Boa Nova na pessoa e atividade de Jesus de Nazaré.
O batismo de João era um rito conhecido naquele tempo. Significava
o reconhecimento dos pecados e a conversão aos caminhos de Deus.
Embora o Advento não seja primariamente tempo de penitência,
mas de preparação, o texto nos lembra que não será
possível a preparação para a vinda do Senhor no
Natal, sem que passemos pelo processo de arrependimento, conversão
e experiência da gratuidade de Deus no perdão dos pecados.
Mas a ênfase mesmo está na aceitação não
somente do batismo de João, mas de quem viria depois dele, literalmente
“atrás de mim”. A expressão, que denota a
dignidade, como num cortejo, põe toda a importância na
pessoa que vem – pois tirar as sandálias era serviço
dum escravo. Jesus é o mais importante, pois com a vinda dele
inaugura-se o tempo de salvação, esperado naquele tempo
por muitas pessoas e grupos (como os Essênios) somente para o
fim dos tempos.
A voz de João ressoa de novo hoje, nos primeiros anos do novo
milênio, convidando a todos nós, não somente pessoalmente,
mas também como comunidade, Igreja e sociedade, a preparar os
caminhos do Senhor, endireitando as suas veredas! A preparação
para o Natal implica a necessidade dum empenho de todos para que os
males, sejam individuais ou sociais, sejam tirados, para que o Natal
seja experiência real da vinda do Salvador e não somente
uma festinha, vazia de sentido.