Décimo Primeiro Domingo Comum - 18 de junho de 2006
"Com que coisas podemos comparar o Reino de Deus?"
- Mc 4,26-34
Evangelho
Naquele tempo, Jesus disse à multidão: “O Reino
de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra.
Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo,
mas ele não sabe como isso acontece.
A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas,
depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga.
Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque
o tempo da colheita chegou”.
E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o Reino de
Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? O Reino
de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado
na terra, é a menor de todas as sementes da terra. Quando é
semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças,
e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu
podem abrigar-se à sua sombra”.
Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas,
conforme eles podiam compreender. E só lhes falava por meio de
parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos,
explicava tudo. - Palavra da Salvação
Reflexão do Evangelho
O
texto de hoje traz à tona dois elementos muito importantes para
o estudo dos Evangelhos – “o Reino de Deus”, e “as
parábolas”. Antes de olhar o texto mais de perto, convém
comentar algo sobre esses dois termos ou conceitos.
Existe um consenso entre estudiosos modernos, sejam católicos
ou protestantes, que existem dois termos nos textos evangélicos
que provém do próprio Jesus e que não dependem
da reflexão posterior das comunidades, ou seja, “Reino”
e Abbá”. Estamos tão acostumados de ter Jesus como
“objeto” da pregação que esquecemos que Ele
não pregou a si mesmo mas “O Reino de Deus” (geralmente
citado em Mateus como o Reino dos Céus, para evitar usar o nome
de Deus). Toda a vida de Jesus foi dedicada ao serviço desse
Reino, que ele nunca define, pois é uma realidade dinâmica,
mas que ele descreve por comparações, usando parábolas.
“Parábola” é um tipo de comparação,
usando símbolos e imagens conhecidos na vida dos ouvintes, e
que os leva a tirar as suas próprias conclusões (de fato,
várias vezes temos a explicação duma parábola
nos evangelhos, mas essa nasceu da catequese da comunidade e não
teria feito parte da parábola original). O Capítulo 13
de Mateus talvez seja o melhor exemplo do uso de parábolas para
clarificar a natureza do Reino – ou Reinado – de Deus
No tempo de Jesus e das primeiras comunidades cristãs, os diversos
grupos religiosos judaicos esperavam a chegada do Reino de Deus e achavam
que pudessem apressar a sua chegada – os fariseus através
da observância da Lei, os essênios através da pureza
ritual, os zelotas, através duma revolta armada. O texto de hoje
nos adverte que não é nem possível nem preciso
tentar apressar a chegada ou o cresceimto do Reino de Deus, pois ele
possui uma dinâmica interna própria de crescimento. Como
a semente semeada cresce, independente do semeador e sem que ele saiba
como, assim o Reino cresce onde plantado, pois também tem a sua
própria forca interna que, passo por passo, vai levá-la
à maturidade. Assim, o texto nos ensina o que Paulo vai ensinar
duma maneira diferente aos corintos, quando, referindo-se ao trabalho
de evangelização desenvolvido por ele, Apolo e outros/as
missionários/as, ele afirma “Paulo planta, Apolo rega,
mas é Deus que faz crescer” (cf. I Cor 3, 6).
Uma das imagens que Jesus usa para caracterizar o Reino é a do
grão de mostarda. Embora a semente seja minúscula, ela
cresce até se tornar um arbusto frondoso. Assim Jesus quer que
a gente relembre que é importante começar com ações
pequenos e singelas, pois, pela ação do Espírito
Santo elas poderão dar frutos grandes. Esta parábola é
um lembrete para que não caiamos na tentação de
olhar as coisas com os olhos da sociedade dominante, que valoriza muito
a prepotência, o poder, a aparência externa A nossa vocação
é plantar e regar, nunca perdendo uma oportunidade de semear
o Reinado de Deus – ou seja, criar situações onde
realmente reina o projeto do Pai, projeto de solidariedade e amor, partilha
e justiça, começando com sementes minúsculos, para
que, não através do nosso esforço, mas da graça
de Deus, eventualmente cresça uma árvore frondosa que
abriga muitos. O desafio do texto é de valorizemos o gesto pequeno,
as duas moedas da viúva, a semente de mostarda, não nos
preocupando com os resultados, mas, confiantes no poder transformador
da semente - plantar e regar, para que Deus possa ter a colheita!