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Congregação Missionária Servas do Espírito Santo - Província Stella Matutina - SP/SP


Décimo Quinto Domingo Comum - 13 de julho de 2003
"Dava-lhes poder sobre os espíritos maus" - Marcos 6, 7-13

Evangelho
Naquele tempo, Jesus chamou os doze, e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros. Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas.
E Jesus disse ainda: "Quando entrardes numa casa, ficai ali até vossa partida. Se em algum lugar não vos receberem nem quiserem vos escutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés, como testemunho contra eles!".
Então os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-se com óleo. - Palavra da Salvação

Reflexão do Evangelho
Estes versículos dão início ao terceiro e último bloco da primeira parte do Evangelho de Marcos, que podemos intitular "a cegueira dos discípulos". É a continuidade dos primeiros dois blocos que tratavam da cegueira das autoridades e dos parentes de Jesus.

O nosso texto trata da missão dos discípulos. Vale a pena examinar mais de perto as frases que Marcos usa.

O primeiro elemento é que a missão de Jesus, o de construir o Reino de Deus, continua nas missão dos discípulos. A base da missão é o compromisso com Jesus e o seu projeto. Em nossos termos hoje, cumpre lembrar que a origem da missão está no nosso batismo. Todos somos missionários - se somos clero, religiosos ou leigos é secundário. A missão comum vem do batismo comum de todos nós. A maneira de vivenciarmos a missão pode ser diferente, variar, mas a missão é fundamentalmente igual.

Ele os mandou dois a dois. Uma maneira bonita de mostrar que a missão cristã é comunitária. Não existe um cristianismo individualista. A nossa fé têm conseqüências profundas comunitárias. Um alerta para que não caiamos na tentação de criarmos uma religião individualista e intimista, tão comum no nosso mundo de competitividade e pós-modernidade.

E Jesus dava-lhes poder sobre os espíritos imundos! Claro, aqui se expressa uma realidade importante nos termos da cosmovisão da época. "Espíritos imundos" significam tudo que pudesse se opor ao Reino. Tudo cujos valores fossem diferentes do Reino. Infelizmente ainda hoje, muitos interpretam essas palavras ao pé da letra, e criam uma religião que sataniza e demoniza quase tudo, uma religião de exorcismos e diabos – mas sempre no nível intimista e individual. Devemos nos perguntar – quais os espíritos imundos na nossa sociedade, que precisam ser expulsos? Não é difícil achá-los: tudo que se opõe à vida, à dignidade humana, á justiça e à solidariedade. Onde se vive o evangelho, não há lugar para o espírito de individualismo, de competitividade, de exclusão que é característica da nossa sociedade neo-liberal, nossa sociedade de morte! O cristão não pode compactuar-se com tal sociedade e com as suas estruturas. As nossas celebrações não são para nos refugiarmos nelas, mas para nos fortalecermos na luta pelo mundo novo, pela utopia de Jesus! Por isso, em primeiro lugar, os discípulos tinham que se libertar do espírito de acumulo - não levar coisas, como sinal da chegada do Reino.

Mas Jesus os adverte que nem todos iriam acolher a sua mensagem – pois a mensagem de Jesus necessariamente entra em conflito com o espírito do egoísmo, enraizado na sociedade. Vale para os nossos tempos - uma Igreja comprometida com os valores do Evangelho será uma Igreja rejeitada pelos poderes desse mundo. Quando somos bem aceitos, é porque não questionamos, porque perdemos a nossa voz profética! A igreja verdadeira suscita mártires (literalmente, testemunhas), e não acomodados!

O nosso texto nos convida a um exame de consciência sobre a "missionariedade" das nossas vidas. A minha vida, a da minha comunidade, se resume na vivência interna das estruturas da Igreja, ou me leva a ser testemunha no meio da sociedade, profetizando e demonstrando a chegada do Reino, não tanto pelas palavras, mas pelos valores que vivencio? Uma igreja não-missionária (que não significa ser prosélita), é uma Igreja morta. Lembremo-nos que, pelo batismo, somos todos missionários, continuadores da missão de Jesus!

Pe. Tomaz Hughes - SVD

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