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Congregação Missionária Servas do Espírito Santo - Província Stella Matutina - SP/SP


A transfiguração do Senhor - 06 de agosto de 2006
"Este é o meu Filho bem-amado. Escutem o que Ele diz! " - Marcos 9, 2-10

Evangelho
Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e os levou sozinhos a um lugar à parte sobre uma alta montanha. E transfigurou-se diante deles.
Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar. Apareceram-lhe Elias e Moisés, e estavam conversando com Jesus.
Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: "Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias". Pedro não sabia o que dizer, pois estavam todos com muito medo.
Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: "Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!" E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles.
Ao descerem da montanha, Jesus ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos. Eles observaram essa ordem, mas comentavam entre si o que queria dizer "ressuscitar dos mortos". - Palavra da Salvação

Reflexão do Evangelho
Hoje é tradicionalmente a Festa do Senhor Bom Jesus em muitos lugares do Brasil, e, liturgicamente, também a Festa da Transfiguração do Senhor. É relatado com algumas diferenças pelos três Sinóticos – Lucas liga o relato mais estreitamente à Paixão e Morte de Jesus – enquanto em Marcos situa-se no contexto da grande caminhada de Jesus em direção a Jerusalém, à Paixão, Morte e Ressurreição. É a primeira história relatada depois do texto central do Evangelho de Marcos, o do caminho de Cesaréia de Filipe (Mc 8, 27-37), onde Jesus deixava bem claro que o único caminho para o discípulo é o de segui-lo até a Cruz.

Mais uma vez, retoma-se o tema da missão de Jesus como o Servo de Javé. Enquanto ele toma consigo Pedro, Tiago e João – os mesmos que o acompanham à casa do Jairo e à Agonia na Horta – aparecem com ele Moisés e Elias, representando a Lei e os Profetas, respectivamente. Isso que dizer que a Escritura, o Primeiro Testamento, dá testemunho sobre Jesus. Da nuvem ressoa uma voz retumbante com a mensagem central para os discípulos “Este é o meu Filho amado. Escutem o que ele diz!”. Faz relembrar a cena do Batismo de Jesus (Mc 1,13) onde a voz também fala, porém com uma grande diferença. Na cena do Batismo, o Pai fala a Jesus “Tu és o meu Filho amado”, assim confirmando a sua missão. No texto de hoje a voz não se dirige a Jesus mas aos discípulos “Este é o meu Filho amado!”. A sua função aqui não é de reforçar a missão de Jesus, mas a dos discípulos, de confirmar que a sua fé em Jesus, no tempo do escrito, pelo ano 70, não é um engano, pois ele é mesmo o Filho amado do Pai.

A reação do Pedro é compreensível – teria sido bom ficar lá na montanha, longe dos problemas e sofrimentos da vida, contemplando a cena. Mas não – Jesus faz com que eles desçam da montanha com ele. A experiência mística não é simplesmente algo pessoal e individual - ela deve dar forças para a missão. Por isso, não podem ficar na montanha, mas descer à missão e à vida cotidiana.

Aqui temos dois aspectos importantes – primeiro, o discípulo não deve usar momentos de oração e de experiência mística para fugir da realidade. Pelo contrário, deve levar à oração à sua realidade e voltar a ela com mais força, a força que vem de Deus. Do outro lado, é preciso dar espaço e oportunidade para que tenhamos essas experiências. Ao contrário, ninguém vai agüentar a luta, sem momentos fortes de oração e silêncio diante do mistério de Deus. Talvez a experiência do Monte Tabor (a Transfiguração) desse a Jesus a força para agüentar a experiência amarga do Monte Calvário (a Crucifixão). Oração que não brota da luta e não leva a ela é mera fuga, mas luta sem oração leva a um ativismo que não dá frutos.

Marcos contou a história para fortalecer a fé vacilante dos membros da sua comunidade, quarenta anos depois do acontecido. O texto os convidou para que renovassem a sua fé em Jesus e na sua Palavra. Vale para nós hoje o mesmo convite do Pai “Este é o meu Filho amado. Escutem o que ele diz!” É na escuta de Jesus, e na concretização das sua opções, que nós descobriremos o que significa ser discípulo dele hoje.

Pe. Tomaz Hughes - SVD

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