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Congregação Missionária Servas do Espírito Santo - Província Stella Matutina - SP/SP


Vigésimo Sexto Domingo Comum - 28 de setembro de 2003
"Quem não está contra nós está a nosso favor" - Marcos 9,38-43.45.47-48

Evangelho
Naquele tempo, João disse a Jesus: "Mestre, vimos um homem expulsar demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque ele não nos segue".
Jesus disse: "Não o proibas, pois ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. Quem não é contra nós é a nosso favor. Em verdade eu vos digo: quem vos der a beber um copo de água, porque sois de Cristo, não ficará sem receber a sua recompensa. E, se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço.
Se tua mão te leva a pecar, corta-a! É melhor entrar na Vida sem uma das mãos do que, tendo as duas, ir para o inferno, para o fogo que nunca se apaga. Se teu pé te leva a pecar, corta-o! É melhor entrar na Vida sem um dos pés do que, tendo os dois, ser jogado no inferno.
Se teu olho te leva a pecar, arranca-o! É melhor entrar no Reino de Deus com um olho só do que, tendo os dois, ser jogado no inferno, 'onde o verme deles não morre e o fogo não se apaga' ". - Palavra da Salvação

Reflexão do Evangelho
O texto de hoje nos coloca mais uma vez no contexto do ensinamento de Jesus aos seus discípulos, enquanto caminhavam para Jerusalém. Já vimos que a partir da "crise galalaíca", Jesus mudou a sua estratégia, afastou-se das multidões e dedicou-se à formação mais intensa dos seus discípulos, pois estes se mostravam incapazes de acolher a novidade do evangelho, com a mudança radical de atitudes que ele implicava.

A primeira atitude a ser corrigida, nos versículos de hoje, é a de querer reservar o Espírito de Jesus como propriedade da comunidade. João queixa que um homem que não os seguia estava expulsando demônios em nome de Jesus. Atitude mesquinha, de querer dominar o Espírito de Deus, seqüestrar o poder divino! Mas, infelizmente, uma atitude bastante prevalecente em certos setores mais retrógradas das Igrejas ainda hoje, que acham que toda a riqueza do mistério de Deus possa caber dentro das margens estreitas das suas definições dogmáticas! Hoje, Jesus nos ensina a verdadeira atitude dum discípulo: "Não lhe proíbam, pois .... quem não está contra nós, está a nosso favor" (v. 40). Temos que aprender a acolher as manifestações verdadeiras do Espírito de Deus em todas as religiões e culturas, e estar alertas para que nós mesmos não o escondemos deturpemos!

A segunda parte do trecho nos coloca diante do problema do escândalo dos pequenos na comunidade. Aqui cumpre ressaltar que "os pequenos" não são as crianças, mas os humildes e pobres da comunidade cristã. E é bom lembrar o sentido original da palavra "escândalo". Vem dum termo grego que significa "pedra de tropeço". Então trata-se da situação em que os pequenos da comunidade "tropeçam", isso é, não conseguem manter-se em pé ou se afastam, por causa de certas atitudes dos dirigentes comunitários (é bom notar que o discurso e as advertências se dirigem aos discípulos, e não aos de fora). Deve ter sido um problema comum, pois o Discurso Eclesiológico no Evangelho de Mateus trata do mesmo assunto (Mt 18, 6-14) Usando imagens e linguagem tipicamente semíticas, Jesus manda cortar e jogar fora "a mão, o pé, e o olho", que causam escândalos aos pequenos. Obviamente não se propõe aqui uma mutilação física, mesmo que, ao longo da história, houvesse quem assim o entendesse - por exemplo, Origines. "Mão" significa a nossa maneira de agir, "pé" o modo de caminhar na vida, e "olho" o jeito de ver e julgar as coisas, ou até, a nossa ideologia. Então o texto convida os dirigentes das comunidades cristãs (hoje bispos, padres, pastores, irmãs, ministros etc.) a reverem o seu modo de agir, pensar e julgar, para averiguar se não estamos causando a queda dos pequenos e humildes. E se descobrirmos que assim esteja acontecendo, então devemos "cortar e jogar fora"- ou seja, mudar o que causa o problema. Caso contrário, não experimentaremos na comunidade a presença do Reino de Deus – a vivência dos valores do Evangelho, que Jesus deu a vida para estabelecer.

A caminhada para Jerusalém, no Evangelho de Marcos, é um grande ensinamento de Jesus para quem quer segui-lo como discípulo. Trecho por trecho, ele vai desafiando a mentalidade dos discípulos, tão marcada pelos valores da sociedade vigente, e semeando os valores do Reino. Hoje ele nos desafia a praticarmos um verdadeiro ecumenismo e diálogo inter-religioso, e a revermos o nosso modo de agir e pensar, para que a experiência cristã de comunidade seja uma amostra real dos valores do Reino de Deus.

Pe. Tomaz Hughes - SVD

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