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Congregação Missionária Servas do Espírito Santo - Província Stella Matutina - SP/SP


4º Domingo Comum - 30 de janeiro de 2005
"Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa nos céus" Mateus 5,1-12a

Evangelho
Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los: "Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o tipo de mal contra vós, por causa de mim.
Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus". - Palavra da Salvação.

Reflexão do Evangelho
Esses primeiros versículos de Cap. 5 servem ao mesmo tempo como introdução e resumo do Sermão da Montanha. Nos apresentam um retrato das qualidades do(a) verdadeiro(o) discípulo(a), daquele e daquela que, no seguimento de Jesus, procura viver os valores do Reino de Deus. Basta uma leitura superficial para ver que a proposta de Jesus está na contramão da proposta da sociedade vigente – tanto do tempo de Jesus, como de hoje. Embora numa linguagem menos contundente do que Lucas (Lc 6,20-26), o texto de Mateus deixa claro que o seguimento de Jesus exige uma mudança radical na nossa maneira de pensar e viver.
Um primeiro elemento que chama a atenção é o fato de que a primeira e a última bem-aventurança estão com o verbo no presente – o Reino já é dos pobres em espírito e dos perseguidos por causa da justiça – na verdade, as mesmas pessoas, pois os que buscam a justiça são “pobres em espírito”. Eles já vivem a dependência total de Deus, pois só com Ele esses valores podem vigorar. Mas quem luta pela justiça será perseguido – e quem não se empenha nessa luta jamais poderá ser “pobre em espírito”.
As outras bem-aventuranças traçam as características de quem é pobre em espírito. É aflito, por causa das injustiças e do sofrimento dos outros, causados por uma sociedade materialista e consumista. É manso, não no sentido de passivo, mas porque não é movido pelo ódio e violência que marcam a ganância e a truculência dos que dominam, “amansando” os pobres e fracos.
Tem fome da Justiça do Reino, não a dos homens, que tantas vezes não passa duma legitimação oficial da exploração e privilégio. Tem coração compassivo, como o próprio Pai do Céu, e é “puro de coração”, sem ídolos e falsos valores. Promove a paz, não “a paz que o mundo dá” (Jo 14,27), mas o “shalom”, a paz que nasce do projeto de Deus, quando existe a justiça do Reino. Cumpre lembrar a frase famosa do Papa Paulo VI: “Justiça é a o novo nome da paz!
Mas Jesus deixa clara a conseqüência de assumir esse projeto de vida – a perseguição! Pois um sistema baseado em valores antievangélicos não pode agüentar quem o contesta e questiona, algo que a história dos mártires do nosso continente testemunha muita bem. Qualquer igreja cristã que é bem aceita é elogiada pelo sistema hegemônica, precisaria se questionar sobre a sua fidelidade à vivência das bem-aventuranças do Sermão da Montanha. O martírio (= testemunho) é pedra-de-toque dessa fidelidade. Continua válido para todos nós, como indivíduos e como comunidades, o desafio de estar “na contramão, com Jesus”, como diz Frei Carlos Mesters. Não somente na contramão da sociedade, mas com uma proposta de construção duma sociedade fundamentada nos princípios do Sermão da Montanha, os de solidariedade, justiça, fraternidade e paz. Num mundo onde estas metas e princípios são chamados da “ladainha dos perdedores”, cabe aos cristãos descobrir meios práticos de concretização desta utopia, a utopia de Deus, que impelia Jesus a doar a sua vida. É o grande desafio de sermos “no mundo, mas não do mundo” como dizia Jesus (cf. Jo,14) e por isso temos que ser “vigilantes” (outro tema do evangelho de Mateus), para que não assumamos os princípios anti-evangélicos do neoliberalismo selvagem, como por osmose! O mundo é o palco da nossa missão (cf. Jo 16,18), mas uma missão transformadora, norteada pelas Bem-Aventuranças.

Pe. Tomaz Hughes - SVD

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