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Congregação Missionária Servas do Espírito Santo - Província Stella Matutina - SP/SP


Nono Domingo Comum - 2 de Junho de 2002
"Só entrará no Reino do Céu quem põe em prática a vontade do meu Pai "
Mateus 7,21-27

Evangelho
"Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: "Nem todo aquele que me diz: 'Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus.
Naquele dia, muitos vão me dizer; 'Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizamos? Não foi em teu nome que expulsamos demônios? E não foi em teu nome que fizemos muitos milagres? Então eu lhes direi publicamente: jamais vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que praticais o mal.
Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha.
Por outro lado, quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática é como o homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos sopraram e deram contra a casa, e a casa caiu, e sua ruína foi completa!" - Palavra da Salvação

Reflexão do Evangelho
O texto de hoje conclui o grande discurso da vida cristã, que é o Sermão da Montanha. Depois de dar-nos as orientações para uma vida de seguimento e discipulato, Jesus termina insistindo na necessidade da nossa fé nos levar à prática das obras do Reino de Deus. Não adianta uma fé que consiste somente em adesão intelectual às verdades sobre Jesus, pois precisa uma fé que nos leva a construir a justiça do reino na nossa sociedade.

O texto se divide em duas partes - a primeira parte, vv.21-23, adverte contra uma religião, mesmo no nome do seguimento de Jesus, que não compromete com a luta em favor da justiça. Parece que na comunidade de Mateus, por volta do ano 90, havia uma tendência entre alguns de invocar o nome de Jesus, profetizar, fazer milagres, expulsar demônios, e ir atrás de manifestações extraordinárias do Espírito, sem que se comprometessem com a construção do Reino da justiça. As palavras de Jesus para essas pessoas soam duras - chama-as de malfeitores, pois não se empenham na realização do projeto dele, mas se vangloriam dos seus milagres e dons que chamam a atenção, mas que não brotam duma vida de comprometimento com o Reino de Deus.

É atual esta advertência do texto, pois hoje também há muitas vezes a tendência de buscar uma religião de "sinais" e milagres, de manifestações aparentemente milagrosas do Espírito, mas que muitas vezes pode esconder uma opção individualista, intimista, sem conseqüências para a construção da sociedade que Deus quer. Assim a religião torna-se alienante e não fermento na massa, sal da terra, luz do mundo.

A segunda parte do texto, vv.24-27, usa uma imagem bastante comum na Palestina de Jesus - as enchentes repentinas que resultavam das chuvas torrenciais da época do inverno, e que causavam estragos nas vilas e roças. Usa a imagem da construção de casas - uma feita com alicerce, outra sem. De fato, a falta dum alicerce firme não se faz sentir no tempo de bonança. As construções parecem igualmente sólidas. Mas na tempestade, das enxurradas e enchentes, logo se revela qual é a casa com alicerce, e qual carece dum fundamento. É nessa hora que se revela tudo. Assim também com a vida cristã - enquanto tudo corre bem, não se manifesta a presença ou a falta do alicerce. Mas quando batem as ventanias da vida, quando acontecem as enxurradas que ameaçam levar embora o que nós construímos, então se revela a presença ou a ausência dum alicerce. Isso pode acontecer no casamento, na vida religiosa e sacerdotal, no empenho pastoral. Enquanto tudo corre bem, não há problema. Porém é só uma vida com fundamento forte que resistirá as pressões dos contratempos da caminhada! Mateus deixa bem claro qual deve ser o alicerce duma vida cristã - tem que ser Jesus e o seu projeto de vida, manifestado nas palavras do Sermão da Montanha. Uma vida cristã, uma vida missionária, uma vida religiosa construida sobre qualquer outro alicerce, está condenada a desmoronar.

Portanto somos convidados a fazer uma revisão honesta e sincera da nossa vida em todos os sentidos. Qual é o alicerce sobre o que construo a minha vida - sobre algo movediço, que não resiste a prova do tempo e do desgaste diário, ou sobre o único alicerce que é rocha firme, inabalável e permanente - Jesus de Nazaré, e o seu projeto do Reino. A minha religião se baseia só no ouvir e no falar, ou me leva a um engajamento real para que o mundo se torne aquele que Deus sonha? O texto de hoje reforça uma outra frase lapidar do Sermão: "Se a justiça do vocês não for maior do que a dos escribas e fariseus, não entrarão no Reino dos Céus"(6,20). Fortaleçamos o alicerce da nossa vida cristã, fundamentando-a cada vez mais em Jesus, nas suas palavras, para que possa agüentar as enxurradas e enchentes e ventanias que a vida traz. Outro caminho é receita para o desastre!

Pe. Tomaz Hughes - SVD

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