Página Principal
Contracapa
Congregação
Fundadores
Santos
Centenário
Past.Vocacional
Missão
Espiritualidade
Exp.Missionárias
Ref.Evangelho
JUPIC/Artigos
Notícias
Convento
Links
Contato

Congregação Missionária Servas do Espírito Santo - Província Stella Matutina - SP/SP


Décimo Quarto Domingo Comum - 7 de Julho de 2002
"Eu te louvo, Pai, ... porque escondeste essas coisas aos sábio e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos" - Mateus 11,25-30

Evangelho
Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado.
Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, se não o filho e aquele a quem o filho o quiser revelar. Vinde a mim todos vós que estais cansados e fadigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve." - Palavra da Salvação

Reflexão do Evangelho
Os primeiros três versículos do texto não têm uma vinculação muito estreita com o contexto em que Mateus os coloca, (Lucas situa o ditado num outro contexto), por isso "essas coisas" não se refere ao que veio antes no capítulo (a condenação de Corozaim e Betsaida), mas com os "mistérios do Reino", que são revelados aos pequenos e humildes - neste contexto, os discípulos, e escondido aos que se acham auto-suficientes na sua sabedoria e estudo, - os fariseus e doutores da Lei (cf. Mt13,11). Essa oração de louvor de Jesus brotava da sua própria experiência na missão - que enquanto a sua pessoa, ensinamento e projeto de vida foram rejeitados pela elite política, econômica e religiosa da época, os pobres e massacrados pelo sistema o acolheu. A auto-suficiência da elite impediu que ela pudesse reconhecer a verdade de Jesus. Os pobres, com a sua espiritualidade do Servo de Javé, conseguiram em grande parte acolhê-lo, mesmo sem compreender inteiramente a profundeza da sua identidade.

O texto tem ecos da literatura sapiencial e apocalíptica. Dos Sapienciais, podemos ver reflexos de Pr8, onde a Sabedoria é personificada, Eclo 51,1-12,13-30 e Sab 6-8. Mas também nos faz lembrar de textos apocalípticos como Daniel, onde os sábios são incapazes de decifrar o sentido do sonho de Nabucodonosor (Dn 2,3-13), enquanto o humilde Daniel, confiando na revelação divina, louva a Deus por lhe ter dado a sabedoria (Dn 2,23) e revela que se trata do Reino fundado pelo próprio Deus (Dn 2,44). No tempo de Jesus, os sábios também não conseguiam decifrar os mistério do Reino de Deus, um dom que é dado aos humildes. Em Mateus, os pequenos são os discípulos (Mt 10,42) a quem são revelados o mistério do Reino dos Céus (Mt 13,11).

Os versículos 26-28 são importantes, pois afirmam o relacionamento único entre Jesus e o seu "Abbá", Pai. Aqui, a comunidade mateana expressa a sua fé em Jesus como Filho Absoluto do Pai Absoluto. É uma de três passagens em Mateus nas quais Jesus expressa, duma maneira indireta, ter uma relação única com Deus, seu Pai. As outras são Mt 21,37 e 24,36.

A imagem do "jugo" era bastante conhecida já no Antigo Testamento (cf. Jr 2,20; Jr 5,5; Os 10,11). No judaísmo do tempo de Jesus era usada como imagem da Lei de Deus escrita e oral (cf. Eclo 6,24-30; 51,26s). O termo não tinha necessariamente uma conotação de peso ou opressão quando usado assim. O nosso texto usa a imagem corrente para contrastar a interpretação farisaica da Lei, que oprimia o povo com exigências casuísticas e conceitos que excluíam muitos, com a interpretação de Jesus, que não rejeita a Lei mas lhe devolve o seu sentido original - uma garantia de manter viva na comunidade o projeto libertador de Javé. O problema não estava na Lei, mas na sua interpretação. Para os doutores, as práticas externas eram tão exigentes que ofuscavam o rosto misericordioso de Deus, tornando a vivência religiosa um pesadelo para muito. A interpretação de Jesus não é "light" - é exigente, pois exige uma vivência de fraternidade, uma luta pela solidariedade e libertação e a rejeição de todo egoísmo e individualismo. No fundo, é mais exigente do que a dos fariseus, pois não se esgota em práticas externas, mas num processo infinito de doação de si. Mas ele garante que este projeto de vida, exigente como for, trará a alegria do Reino de Deus.

Esses últimos versículos nos levam a rever a nossa pregação, a nosso interpretação da Lei de Deus, a nossa prática pastoral. Pois, ao longo da história, muitas vezes a pregação nas Igrejas e na catequese tem sido uma séria de legalismos moralizantes, reduzindo o cristianismo a uma prática externa de normas, muitas vezes colocando fardos pesados sobre os menos fortes, sem que fosse oferecido para eles qualquer ajuda para carregá-los. Freqüentemente, o seguimento de Jesus se reduzia ao cumprimento de leis, ou à vivência duma moral ou ética, sem a revelação do Deus misericordioso e compassivo, o Deus de vida. Jesus nos mostra que embora a religião exija leis e moral, fundamentalmente é uma mística, uma experiência do amor de Deus que nos convida a assumir o seu jugo como resposta, um jugo que não mata mas que liberta, que não esconde o rosto de Deus mas que traz a alegria do Reino!

Pe. Tomaz Hughes - SVD

Evangelistas