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Congregação Missionária Servas do Espírito Santo - Província Stella Matutina - SP/SP


Vigésimo Primeiro Domingo Comum - 25 de Agosto de 2002
"E vocês, quem dizem que eu sou?" - Mateus 16,13-20

Evangelho
Naquele tempo, Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe e aí perguntou a seus discípulos: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?"
Eles responderam: "Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros, ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas". Então Jesus lhes perguntou: "E vós, quem dizeis que eu sou?" Simão Pedro respondeu: "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo".
Respondendo, Jesus lhe disse: "Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino do Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus".
Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias - Palavra da Salvação

Reflexão do Evangelho
Aqui temos a versão mateana da profissão de fé de Pedro, que Marcos (Mc 8, 27-35) coloca como pivô de todo o seu evangelho. Este trecho levanta as duas perguntas fundamentais de todos os evangelhos: Quem é Jesus? O que é ser discípulo dele?

São duas perguntas interligadas, pois a segunda resposta depende muito da primeira. A minha visão de Jesus, determinará a maneira do meu seguimento dele.

O diálogo começa com uma pergunta um tanto inócua: "Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?"

É inócua, pois não compromete - o "diz que" não compromete ninguém, pois expressa a opinião dos outros. Por isso, chove respostas da parte dos discípulos: "João Batista, Elias, Jeremias, ou um dos profetas!". Mas Jesus não quer parar aqui - esta pergunta foi só uma introdução. Depois vem a facada!: "E vocês, quem dizem que eu sou?"

Agora não chove respostas, pois quem responde vai se comprometer - não será a opinião dos outros, mas a opinião pessoal! E esta opinião traz conseqüências práticas para a vida. Finalmente, Pedro se arrisca: "O Messias, o Filho de Deus vivo".

Aqui Mateus acrescenta vv.17-19, pois quer destacar o papel de Pedro (e por conseguinte dos líderes da sua própria comunidade), na função de ligar e desligar da comunidade, que nos Evangelhos somente aqui e em Cap. 18 é chamada de "Igreja". "As chaves do Reino" não se referem ao poder de perdoar pecados, mas de integrar e desligar pessoas da comunidade dos discípulos.

O fundamento, o alicerce, dessa comunidade é o conteúdo da profissão de Pedro "Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo". Mas continua no ar as duas perguntas que são o cerne do Evangelho: "Quem é Jesus?", e "o que significa segui-lo?" Pois os termos que Pedro usa são ambíguos, porque cada um os interpreta conforme a sua cabeça. Por isso, Jesus toma uma atitude, aparentemente estranha: "Ele ordenou os discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias!"

.. Que coisa esquisita! Jesus proíbe que se fala a verdade sobre ele! Como é que ele espera angariar discípulos deste jeito? O assunto merece mais atenção.

Realmente, Pedro acertou em termos de teologia, de "ortodoxia", conforme diríamos hoje. Ele usou o termo certo para descrever Jesus. Mas Jesus quer esclarecer o que significa ser "O Messias de Deus". Pois cada um pode entender este termo conforme os seus desejos. Jesus quer deixar bem claro que ser "messias" para ele é ser o "Servo Sofredor" de Javé. É vivenciar o projeto do Pai, que necessariamente vai leva-lo a um choque com as autoridades políticas, religiosas, e econômicas, enfim, com a classe dominante do seu tempo, e não o Messias nacionalista e triunfalista das expectativas de então.

No nosso tempo, quando é moda apresentar um Jesus "light", sem exigências, sem paixão, sem Cruz, sem compromisso com a transformação social, o texto nos desafia para clarificar em que Jesus acreditamos? O Jesus "Oba! Oba!" tão amado por setores da mídia, e também das Igrejas, ou o Jesus bíblico, o Servo de Javé, que veio para dar a vida em favor de todos? Esse assunto vem a tona no evangelho do próximo domingo.

Pe. Tomaz Hughes - SVD

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