Perfomance: O Santo e as "Santas"
A
santidade do Pe. Arnaldo apresenta-se para nós como dom e apelo
neste ano da graça. Dentro do programa de formação
SSpS-BRN, colocamos mãos à obra para conhecer melhor
a vida e santidade de nosso Santo Arnaldo. Detemo-nos especialmente
na relação que estabelece com as primeiras jovens que
querem ser missionárias e nos acontecimentos que acompanham
a fundação das Congregações das Servas
do Espírito Santo e da Adoração Perpétua.
Procuramos
situar a história destas vidas no contexto mais amplo da sociedade
e da igreja do seu tempo. Nesse período, encontramos mulheres,
que num momento histórico de grandes mudanças e apelos,
aparecem como protagonistas da fé, da sensibilidade e da generosidade
para responder a necessidades da época. Reconhecemos ai as
Irmãs das primeiras gerações da nossa Congregação.
Um grande número de Congregações religiosas femininas
fundadas nesse período testemunha a emergência dessa
subjetividade feminina.
Ao
longo de sua vida, Santo Arnaldo mostra-se um homem de fé,
sensível e inquieto, aberto à ação de
Deus. É a ele que o Espírito conduz nossas primeiras
jovens, em busca de apoio para realizar seus sonhos. No encontro entre
eles, manifesta-se uma Promessa e na Esperança, essas mulheres
e Santo Arnaldo põem-se a caminho de sua realização.
As
linhas que seguem partilham luzes que descobrimos enquanto procuramos
pegadas em seu caminhar. Expressamos isso imaginando um diálogo
interno a Santo Arnaldo, entre sua busca e abertura aos sinais do
Espírito e o desafio-sinal que essas jovens representaram:
-
O que esta mulher está fazendo aqui?
-
"Um coração de fogo que abraça o mundo".
pensa nas crianças abandonadas da China, no povo sofrido da
África...
-
A mulher tem hoje um papel importante no mundo, na missão...
-
Fechar a porta? - Não. E se for um sinal de Deus?
E
o sinal é enterrado, qual semente.
-
Eu preciso de mais provas.
Arnaldo
tem tantas coisas para fazer, preocupações, lutas, dificuldades
por toda parte. Ele não parece dar conta.
-
E ela? E elas? Anos de silêncio, serviço duro. Protagonista
da história do seu tempo. Na força da graça,
elas cavam, removem, recolocam, inspiram e aquecem; alimentam e transformam.
Elas fazem acontecer.
-
O que estas mulheres estão fazendo aqui? Corações
de fogo que abraçam o mundo. Arnaldo não tem mais sossego!
Sente a transformação acontecendo nele. O dedo de Deus
manifesta-se nelas, irresistível. Arnaldo cede. Olha para o
sinal, dialoga, pergunta, consulta.
-
Elas sabem o que querem. Elas são os tijolos da obra que deve
ser feita: uma congregação de mulheres aberta ao mundo,
à missão, além das fronteiras, onde o Espírito
envia, onde a dor clama. Serão Missionárias Servas do
Espírito Santo.
E
de novo, na confiança e comunhão que sente com essas
mulheres, Arnaldo busca consolo e força. Ele vê sua obra
crescer e crescer. Saiu de suas mãos, É mais do que
ele. É obra de Deus! Que braços erguidos, qual os de
Moisés, a segurarão? Arnaldo sabe de noites de oração,
da Luz necessária quando todas as outras luzes se apagam e
se pergunta: Quem verá o que os olhos não vêem,
quem ouvirá o que os ouvidos não ouvem, quem sondará
os planos de Deus? Que braços se erguerão para rezar:
"assim na terra como no céu"?
Arnaldo
confia nelas. - Elas querem ir para a China e a África, mas
também experimentaram e venceram a noite da fé e da
espera. Serão elas as enviadas a essa missão?
De
novo a semente é enterrada: dúvidas, frio, dor e trevas.
A espera e a paciência. A resistência do coração
de fogo posto à prova. E a resposta chega: "Sim, seremos
adoradoras como Moisés e Missionárias além fronteiras".
E Arnaldo funda uma nova Congregação, as Servas do Espírito
Santo da Adoração Perpétua.
A
obra parece consolidada, agora é preciso preparar bem estas
mulheres para as muitas tarefas que as esperam além do mar.
Mãos à obra Arnaldo, pai e irmão, ensina e aprende,
prepara essas mulheres: professoras, enfermeiras, artistas, mulheres
independentes e empreendedoras, acolhem sempre mais e mais companheiras,
juntam seus sonhos e esperanças, lutas e sacrifícios,
fé e amizade e lá vão elas além do mar,
amar, servir e lutar; um só coração, muitos rostos.
Estas
simples pegadas significam para nós a descoberta de um Dom,
um legado. Testemunham santidade e profecia, Boas Novas para seu tempo.
Com a ajuda de Zezinha Menezes, organizamos uma expressão artística
a fim de comunicar esta mensagem a muitos e muitas que conosco partilham
esta grande Ação de Graças pela santidade de
Nosso Fundador.